O setor de telecomunicação brasileiro começou a apresentar sinais iniciais de aumento da concorrência em 2026, desde a consolidação do mercado móvel. A avaliação é do Bank of America (BofA), que destacou mudanças na política de preços das operadoras e o avanço de novos competidores como fatores de atenção para o segmento.
Segundo o banco, a Vivo (VIVT3) liderou os reajustes de preços para novos clientes neste ano, principalmente em planos pós-pagos e híbridos, enquanto Claro e TIM (TIMS3) adotaram postura mais cautelosa. Ainda assim, o BofA avalia que o impacto negativo sobre os lucros das teles deve demorar a aparecer, já que os reajustes aplicados à base antiga de clientes continuam sustentando a rentabilidade das companhias.
A análise aponta que a Vivo elevou o preço de seu plano híbrido intermediário de R$ 70 para R$ 75 mensais, além de aumentar o plano pós-pago de entrada para R$ 150 por mês. A Claro reajustou apenas o plano pós-pago básico, de R$ 115 para R$ 125, enquanto a TIM promoveu aumentos limitados a planos não básicos.
Diferença de preços por cliente
Para o BofA, um dos pontos mais relevantes é a crescente diferença entre os preços cobrados de novos clientes e aqueles aplicados à base já existente. O banco alerta que esse movimento pode, no longo prazo, estimular migração para planos mais baratos, pressionando o ARPU — receita média por usuário — das operadoras.
Outro fator monitorado pelo mercado é a atuação da Nucel, operadora móvel virtual (MVNO) do Nubank (ROXO34), que manteve preços inalterados e segue oferecendo plano de entrada por R$ 45 mensais. Na visão do banco, a companhia pode estar adotando uma estratégia mais agressiva para ganhar espaço no mercado de telecomunicação móvel.
O relatório também ressalta que os benefícios da consolidação do setor tendem a perder força ao longo do tempo, o que pode aumentar a disputa por clientes entre as operadoras. Além disso, a América Móvil, controladora da Claro, historicamente privilegia crescimento de participação de mercado e estratégias de upselling em vez de aumentos expressivos de preços.
No segmento de banda larga, o cenário permaneceu relativamente estável em 2026. A Claro reduziu o preço de seu plano de entrada de R$ 100 para R$ 90 em algumas regiões, enquanto a TIM elevou em R$ 10 mensais determinados pacotes fora da faixa básica. Já a Brisanet reajustou planos iniciais de R$ 90 para R$ 110 em alguns municípios.
Apesar dos primeiros sinais de competição mais intensa, o BofA avalia que o setor de telecomunicação ainda mantém fundamentos relativamente sólidos no curto prazo, sustentados principalmente pelos reajustes aplicados à base consolidada de clientes.
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