A menos de seis meses das eleições presidenciais, o banco Safra publicou análise detalhada sobre como os investidores devem posicionar suas carteiras de ações diante da volatilidade esperada até outubro.
O relatório, assinado pelos analistas Cauê Pinheiro, Carolina Carneiro, Yves Adam e Luana Nunes, traça três portfólios alternativos — um para o cenário base, um otimista e um conservador — e mantém a meta de 220 mil pontos para o Ibovespa no fim de 2026.
“A volatilidade média do Ibovespa aumenta cerca de 14% em anos eleitorais, e nossa análise indica que ela começa a subir de forma mais intensa em maio, permanecendo em níveis elevados até o resultado das eleições”, afirmam os analistas Cauê Pinheiro e Carolina Carneiro.
Segundo eles, maio é o mês em que as candidaturas se definem, a frequência de pesquisas eleitorais aumenta e as campanhas se intensificam — tornando os preços dos ativos mais sensíveis a qualquer notícia que afete o cenário político.
O cenário base: liquidez, controle de alavancagem e juros
Para o portfólio principal, o Safra defende uma composição equilibrada, com foco em empresas de alta liquidez e exposição aos setores de infraestrutura e energia.
“Mantemos a visão de que as eleições aumentam temporariamente a volatilidade. Por isso, buscamos nomes com maior liquidez, alavancagem controlada e exposição limitada ao consumo doméstico, mas que se beneficiam do ciclo de corte de juros”, explicam os analistas Yves Adam e Luana Nunes.
O banco enxerga valuation atrativo na Bolsa, que negocia a 7,7 vezes os lucros estimados para 2027 — desconto de 23% em relação à média histórica.
Fonte: Safra e Bloomberg
Cenário otimista: varejo, saúde e capital goods na carteira
Para investidores que apostam na dissipação mais rápida das pressões inflacionárias internacionais e num ciclo de cortes mais acelerado da Selic, o Safra montou uma carteira com maior exposição ao ciclo doméstico.
Nomes como BTG Pactual (BPAC11), Localiza (RENT3), Rede D’Or (RDOR3), C&A (CEAB3), Gerdau (GGBR4) e Moura Dubeux (MDNE3) compõem o portfólio.
“Em um cenário de mercado mais eufórico, o BTG deve se beneficiar de forma significativa com o crescimento de receitas em Investment Banking e Sales & Trading”, destacam Cauê Pinheiro e Yves Adam.
Já a Localiza, segundo os analistas, “negocia a 11,9 vezes o lucro estimado para 2026, representando um desconto de 18% em relação à sua média histórica de cinco anos”, com potencial de forte re-rating caso os juros caiam mais intensamente.
Fontes: Safra e Bloomberg
Cenário conservador: dólar, dividendos e baixo beta
Para quem teme a persistência da inflação e uma eventual depreciação cambial, independentemente do resultado eleitoral, o banco estruturou um portfólio mais defensivo, com empresas exportadoras, pagadoras de dividendos e menos dependentes do ciclo econômico doméstico.
Suzano (SUZB3), PRIO (PRIO3), JBS (JBSS32), Embraer (EMBJ3), Ambev (ABEV3), Fleury (FLRY3), Caixa Seguridade (CXSE3), CPFL (CPFE3), Alupar (ALUP11) e Aura Minerals (AURA33) formam essa carteira, com beta médio de 0,83 e dividend yield médio de 5% para 2026.
“Em um cenário conservador, priorizamos a Fleury como um caso mais defensivo, com geração de caixa resiliente, dividend yield atrativo, baixo risco de execução e balanço saudável”, afirmam Carolina Carneiro e Luana Nunes.
A PRIO também se destaca nesse contexto: “os desafios operacionais que limitaram a produção nos últimos anos não devem se repetir em 2026, abrindo espaço para que a produção alcance cerca de 200 mil barris por dia a partir do segundo semestre”, projetam os analistas.
Fontes: Safra e Bloomberg
Fundamentos sólidos além da política
Apesar da cautela de curto prazo captada em reuniões com investidores locais e estrangeiros, o Safra sustenta sua visão positiva estrutural para a Bolsa brasileira.
O banco cita quatro fatores favoráveis: valuation descontado, dividend yield agregado de 7,2% (chegando a 8% em 2027), continuidade do ciclo de afrouxamento monetário e retomada da rotação de capital de mercados desenvolvidos para emergentes.
Para os analistas, as incertezas eleitorais são passageiras — e a janela de volatilidade pode representar uma oportunidade de entrada para o investidor com horizonte mais longo.