A Taesa (TAEE11) divulgou um resultado considerado misto pela Ativa Investimentos no 1TRI26, combinando avanço operacional com pressão sobre o lucro líquido.
Apesar do crescimento anual da receita regulatória e da melhora da margem Ebitda, a companhia apresentou desempenho financeiro abaixo das expectativas da casa de análise, principalmente por conta do aumento das despesas financeiras em investidas e da redução de benefícios fiscais em participações relevantes.
Segundo a Ativa, a receita líquida regulatória da Taesa cresceu 9,6% na comparação anual, sustentada pelo reajuste da Receita Anual Permitida (RAP), pela entrada em operação de novos ativos e pela melhora na Parcela Variável. Ainda assim, o número ficou abaixo das projeções dos analistas.
O lucro líquido regulatório somou R$ 192,6 milhões no período, avanço de 2,3% na base anual, mas distante da expectativa da instituição financeira.
Receita cresce com novos ativos e reajuste da RAP
A evolução operacional da Taesa no 1TRI26 foi impulsionada principalmente pela entrada em operação de projetos como Pitiguari, além das ativações parciais de Tangará e Saíra. Os reforços nas concessões São Pedro, TSN e ATE III também ajudaram no crescimento da receita regulatória da companhia.
De acordo com a empresa, a receita líquida regulatória atingiu R$ 655,5 milhões no trimestre. O reajuste inflacionário do ciclo RAP 2025-2026 teve papel importante nesse desempenho, com atualização de contratos indexados ao IGP-M e ao IPCA.
A melhora da Parcela Variável também contribuiu para reduzir impactos operacionais relacionados a indisponibilidades no sistema de transmissão.
Mesmo com o crescimento anual, a Ativa destacou que a receita veio abaixo das estimativas do mercado. Para a corretora, o desempenho operacional foi parcialmente compensado pelo controle eficiente de custos e despesas.
Margem Ebitda surpreende positivamente
Um dos pontos positivos do resultado da Taesa no 1TRI26 foi a margem Ebitda regulatória. O indicador alcançou 85,8%, acima da projeção da Ativa Investimentos e superior ao registrado no mesmo período do ano passado.
Os custos e despesas regulatórios cresceram 5,8% na comparação anual, em ritmo inferior ao avanço das receitas. Segundo a companhia, o aumento esteve relacionado principalmente ao reajuste salarial decorrente do acordo coletivo e ao pagamento de participação nos lucros e resultados (PLR).
Ainda assim, a empresa conseguiu manter forte disciplina operacional. O Ebitda regulatório somou R$ 562,1 milhões, alta de 10,3% na comparação anual. Para a Ativa, o desempenho operacional mais forte ajudou a amenizar a frustração com o lucro líquido abaixo das expectativas.
Resultado financeiro pressiona lucro da Taesa
O principal fator negativo do balanço da Taesa no 1TRI26 veio da linha financeira e da equivalência patrimonial. A companhia foi impactada por maiores despesas financeiras em investidas como Aimorés, Paraguaçu e TBE, além da redução de benefícios fiscais relacionados à TBE.
A despesa financeira líquida regulatória ficou em R$ 308,7 milhões no trimestre. Embora tenha havido melhora em alguns indicadores ligados à inflação e à exposição cambial, o peso da dívida e o aumento do CDI continuaram pressionando os resultados.
Além disso, a alavancagem da Taesa avançou levemente. A dívida líquida atingiu R$ 10,2 bilhões, enquanto a relação dívida líquida/Ebitda subiu para 4,2 vezes no encerramento do trimestre, acima das 4,1 vezes registradas no fim de 2025.
Companhia anuncia pagamento de JCP
Apesar do resultado considerado neutro para a tese de investimento, a Taesa anunciou novos proventos aos acionistas. O conselho aprovou a distribuição de R$ 192,6 milhões em juros sobre capital próprio (JCP), equivalentes a R$ 0,56 por unit.
O pagamento será realizado em agosto de 2026, considerando posição acionária de maio deste ano. O rendimento estimado da distribuição é de aproximadamente 1,3%.
Na avaliação da Ativa Investimentos, o balanço da Taesa no 1TRI26 não altera a visão neutra para os papéis da companhia. A corretora entende que a melhora operacional compensou parcialmente o lucro abaixo do esperado, mas destaca a ausência de novos catalisadores relevantes para impulsionar as ações no curto prazo.
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