A Dexco (DXCO3) deve enfrentar uma reação levemente negativa do mercado após a divulgação dos resultados do quarto trimestre de 2025, segundo avaliação do Bradesco BBI. Apesar do desempenho sólido no segmento de painéis de madeira, a deterioração mais intensa na divisão Deca, combinada à fraqueza persistente em revestimentos cerâmicos e à nova queima de caixa, tende a pesar sobre a percepção dos investidores no curto prazo.
A companhia reportou EBITDA ajustado de R$ 416 milhões no 4TRI25, queda de 6% na comparação trimestral e avanço de 12% em relação ao mesmo período do ano anterior. O resultado ficou em linha com as estimativas do BBI e do consenso de mercado. O desempenho consolidado manteve a tendência observada nos trimestres recentes, com o segmento de painéis sustentando os números do grupo.
Na divisão de painéis de madeira, os resultados permaneceram robustos, apoiados por preços mais elevados e por um mix de vendas mais favorável. O segmento segue como principal pilar de sustentação da geração de caixa e rentabilidade da companhia.
Em contrapartida, a unidade Deca registrou queda de aproximadamente 20% no EBITDA na base anual. O recuo reflete volumes significativamente menores e aumento de custos, mesmo diante de um crescimento de 27% nos preços realizados, impulsionado por maior foco em produtos de maior valor agregado. Já o negócio de revestimentos cerâmicos continuou enfrentando condições desafiadoras, com volumes mais fracos e mix menos favorável, pressionando margens.
Queima de caixa
Outro ponto de atenção foi a nova queima de caixa no trimestre, apesar do efeito positivo do capital de giro. A alavancagem permaneceu estável, em 3,4 vezes a relação entre dívida líquida e EBITDA, nível considerado elevado e que limita maior flexibilidade financeira no curto prazo.
Embora o BBI mantenha visão construtiva para as ações no médio prazo, o banco destaca que a materialização de revisões positivas nas estimativas dependerá de sinais mais claros de recuperação operacional na Deca, melhora do ambiente competitivo em revestimentos e um cenário macroeconômico mais favorável em 2026. Até lá, o desempenho desigual entre as divisões deve manter cautela no mercado.
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