A Suzano (SUZB3) está perto do nível mais barato em relação à Klabin (KLBN11) em quase seis anos. A relação entre os preços das duas ações está em 2,51, no 4º percentil de uma série que vai de 2,32 a 3,44, segundo estudo do Safra sobre a operação que compra uma e vende a outra.
“Correlação nos diz que Suzano e Klabin são o par estatisticamente mais próximo da nossa cobertura de papel e celulose, mas não diz quando comprar qual das pontas”, apontam Ricardo Monegaglia e Caique Isidoro, analistas do Safra.
A janela atual começou em 13 de fevereiro e acumula 15,6% contra a Suzano em 30 semanas, período em que a ação caiu 18,0%, contra 4,2% da Klabin. O movimento ainda não foi confirmado pelo filtro do estudo, e nas últimas cinco semanas houve reação de 5,7% a favor da Suzano.
A revisão de lucro decide o vencedor
O banco analisou dados semanais de janeiro de 2021 a setembro de 2026 e identificou dez janelas de pelo menos oito semanas, cinco para cada lado. Entre os cinco fatores testados, um se destacou: a direção relativa das revisões de Ebitda do consenso acertou o lado vencedor em todas as dez janelas, contra sete da celulose e seis do câmbio.
“Em nossa visão, a ponta vencedora é aquela cujo lucro esperado está sendo revisado para cima em relação à outra”, observam Monegaglia e Isidoro.
É o único fator estatisticamente significativo a 5%, com efeito de 1,0 ponto percentual no retorno do par por desvio-padrão, e só a diferença entre as revisões funciona: a de cada empresa isolada não traz sinal.
O exemplo mais claro é a janela de março a outubro de 2021, quando o consenso cortou em 5,2% o Ebitda da Suzano e elevou em 8,5% o da Klabin, com a celulose de fibra curta recuando 21,5%. A Suzano caiu 33,5% no período, contra 18,8% da Klabin. A ressalva é que a revisão acompanha o movimento, sem antecipá-lo, e serve para testar a coerência da tese, não como sinal de entrada.

Celulose e câmbio
A celulose funciona como uma aposta no ciclo, e não na fibra. A Suzano é a ponta de beta alto, por ser produtora quase pura de fibra curta, e a Klabin, a defensiva, por combinar celulose com papel e embalagens. A janela de outubro de 2021 a novembro de 2022 levou a fibra curta de US$ 570 para US$ 865 por tonelada, alta de 51,7%, e a seguinte devolveu tudo, com queda de 41,3%.
“O câmbio acerta pouco janela a janela, mas por regime é a relação mais forte que medimos: menos 9,7% anualizados para a Suzano com o real se valorizando, contra mais 6,9% com o real se desvalorizando”, dizem Ricardo Monegaglia e Caique Isidoro, analistas do Safra.
O único cenário destrutivo combina real forte com celulose em queda, com perda de 19,6% anualizada.
O que não funciona
Os juros americanos não servem como argumento: acertaram só cinco das dez janelas, com sinal invertido.
O Ibovespa acertou quatro, mas o sinal diz algo, porque a Suzano tende a perder para a Klabin quando a bolsa brasileira sobe, funcionando como proteção cambial que o investidor vende nos ralis domésticos. Entre junho de 2025 e janeiro de 2026, o índice subiu 32,3%, e a Klabin superou a Suzano em 18,1%.
“O par alterna, e nenhuma das pontas domina estruturalmente: a virada acontece a cada seis ou sete meses, com amplitude entre 15% e 30%, e o caminho nunca é limpo”, projetam Monegaglia e Isidoro.
As janelas vencedoras da Suzano duram em mediana 25 semanas e rendem 22,8%, contra 30 semanas e 22,1% da Klabin, com taxas de acerto semanal de 62% e 60%.






