A Camil (CAML3) deve reportar um trimestre em linha com a sazonalidade do negócio, sem surpresas, mas com um ponto de virada à vista. A XP Investimentos vê o resultado do período encerrado em agosto, o segundo do ano fiscal da companhia, como momento de inflexão, e não como gatilho.
A corretora projeta receita líquida de R$ 2,800 bilhões, queda de 5% na comparação anual e alta de 6% ante o trimestre anterior. A margem Ebitda deve ficar em 8,3%, recuo de 11 pontos-base em um ano e avanço de 43 pontos-base na sequência, com volumes crescendo em todas as unidades.
“Embora os preços das commodities, especialmente do arroz, tenham se recuperado ao longo do trimestre, a maior parte dessa melhora ocorreu nas semanas finais do período”, apontam Leonardo Alencar e Leonardo Paiva, analistas da XP Investimentos.
O efeito nos números, por isso, deve ficar mais visível a partir do terceiro trimestre.
Frete e alavancagem pesam no curto prazo
As despesas de vendas, gerais e administrativas seguem como o principal ponto de pressão. O motivo é o aumento dos custos de frete após os reajustes tarifários da Agência Nacional de Transportes Terrestres, somado aos volumes maiores comercializados em todo o portfólio.
O consumo sazonal de caixa deve concentrar a atenção dos investidores. Combinado a uma base de Ebitda mais fraca, ele eleva a alavancagem para cerca de 5,0 vezes a dívida líquida sobre o Ebitda, patamar que, somado à pressão nas despesas, tende a provocar uma reação cautelosa do mercado ao balanço.
O caminho para desalavancar
O ciclo de redução da dívida deve começar no segundo semestre de 2026. Com a recuperação dos preços do arroz já em curso, a trajetória fica mais clara conforme o fim do ano se aproxima, e as categorias de maior valor agregado seguem puxando o crescimento dos volumes.
“Não vemos o segundo trimestre como um gatilho nesse processo, mas sim como um momento de inflexão para a companhia”, observam Leonardo Alencar e Leonardo Paiva, analistas da XP Investimentos.






