A preocupação dos investidores com o Banco do Brasil (BBAS3) mudou de patamar, na avaliação do Santander. Não se trata mais apenas da qualidade dos ativos ou das revisões de lucro: a dúvida agora alcança o capital do banco.
“O foco passa a ser quanto o índice de capital principal ainda consegue absorver deteriorações adicionais antes que sejam necessárias medidas extraordinárias, como a abertura de capital de subsidiárias ou até a antecipação da renovação do contrato da BB Seguridade (BBSE3)”, apontam Henrique Navarro, Anahy Rios e Lorenzo Giglioli, analistas do Santander.
Itaú e BTG passam no teste de estresse
O banco submeteu os principais nomes do setor a testes de estresse de lucro e capital. Itaú Unibanco (ITUB4) e BTG Pactual (BPAC11) seguem como as opções mais resilientes, enquanto o Bradesco (BBDC4) se destaca pelo valuation, negociando a cerca de 1,0 vez o valor patrimonial projetado para 2027.
“Ambos os bancos endureceram seus critérios de concessão de crédito há vários trimestres, o que pode limitar uma desaceleração mais forte da carteira em comparação com outros bancos”, observam Navarro, Rios e Giglioli, sobre Itaú e Bradesco.
O contraponto é uma carteira mais conservadora, com mais operações garantidas e de menor rentabilidade, o que tende a pressionar a margem financeira ao longo do tempo.
Nubank troca o debate da inadimplência pelo do crescimento
No cenário mais pessimista do Santander, as estimativas de lucro líquido do Nubank (ROXO34) poderiam cair até 14%. A discussão do mercado, porém, deixou de girar principalmente em torno de inadimplência e custo de risco, que já estão em níveis elevados.
“A principal questão passa a ser por quanto tempo o banco conseguirá manter o atual ritmo de originação de crédito à medida que sua base de clientes se torna mais alavancada e uma parcela menor dos novos solicitantes atende aos critérios de concessão”, dizem Navarro, Rios e Giglioli.
Quanto do risco já está no preço
A pergunta que orienta o relatório é qual seria o ponto de ruptura dos valuations. Os investidores estão cada vez mais atentos ao risco de deterioração do crédito e ao quanto esse cenário já foi incorporado às cotações dos bancos.
A resposta varia de nome para nome. O Nubank (ROXO34) mantém uma tese considerada interessante, mas exposta a uma desaceleração mais relevante do crédito em um ambiente adverso, enquanto o Bradesco combina critérios de concessão já endurecidos com um desconto que o banco considera atrativo.
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