O governo pretende oferecer gratuitamente, pelo Sistema Único de Saúde, as injeções para perda de peso da classe GLP-1 a pacientes com obesidade e indicação médica. O anúncio foi feito pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e mexe diretamente com as redes de farmácias listadas na bolsa.
A iniciativa ainda está no começo. O Ministério da Saúde desenvolve o protocolo clínico e não divulgou critérios de elegibilidade, prazo, modelo de compra ou orçamento. Em paralelo, conduz o estudo Real-Bari com 250 pacientes do SUS com obesidade grave ou associada a outras doenças, focado em quem poderia precisar de cirurgia bariátrica.
A população potencial é enorme. A obesidade atinge cerca de um quarto dos adultos brasileiros, ainda que um programa público comece, quase certamente, com um grupo bem mais restrito.
O mercado privado, por sua vez, já ficou mais acessível desde o fim da exclusividade da semaglutida, em março: só em 2026, foram aprovados 14 novos medicamentos injetáveis para diabetes e obesidade no país.
O que muda para as farmácias
A questão central é como o SUS vai distribuir os remédios. Um modelo de compra centralizada, com entrega em unidades públicas, poderia disputar parte do volume com as farmácias privadas. Já um formato que credencie redes de varejo criaria outro tipo de oportunidade. O governo ainda não definiu o desenho.
“A oferta pública pode alterar onde parte das receitas é atendida, mas preços menores, mais fornecedores e a penetração em rápida expansão devem tornar o mercado total consideravelmente maior”, apontam Luiz Guanais, Yan Cesquim e Beatriz Cendon, analistas do BTG Pactual.
Concorrência cada vez maior nas prateleiras
O mercado comercial está bem mais disputado. Além de Ozempic e Wegovy, da Novo Nordisk, e do Mounjaro, da Lilly, chegaram o Ozivy e a semaglutida genérica da EMS, o Semaclique da Germed e o Semavy da Hypera, entre outros.
Parte dessas novas semaglutidas, porém, tem aprovação da Anvisa para diabetes tipo 2, e não especificamente para obesidade.
“A combinação de preços menores, oferta crescente e reembolso potencialmente mais amplo pode acelerar de forma relevante a penetração da categoria”, observam Guanais, Cesquim e Cendon.
Para os analistas, os remédios GLP-1 seguem como um vetor importante de crescimento das redes de farmácias, independentemente de qualquer programa do governo.






