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Smart Fit surpreende no 3T26 com México e TotalPass, mas Brasil segue pressionado

Smart Fit surpreende no 3T26 com México e TotalPass, mas Brasil segue pressionado

No Brasil, o TotalPass, rede de academias parceiras, foi o grande destaque

A Smart Fit (SMFT3) divulgou resultados do terceiro trimestre de 2026 (3T26) acima do esperado, e o destaque foi o México, que voltou a mostrar expansão de margem após sete trimestres seguidos de contração. O Itaú BBA classificou o balanço como positivo: o Ebitda somou R$ 763 milhões, 2,4% acima da estimativa do banco e do consenso, e o lucro líquido ajustado chegou a R$ 248 milhões, 18,9% acima do projetado. No Brasil, porém, a rentabilidade das academias segue sob pressão, e a Ativa Investimentos, que recomenda compra, lembra que a administração não indicou onde a margem vai se estabilizar.

Segundo o Itaú BBA, o México superou as expectativas de ponta a ponta e entregou, pela primeira vez em sete trimestres, expansão da margem Ebitda na comparação anual. Na teleconferência, a empresa atribuiu a melhora a ajustes internos feitos nos últimos 18 a 24 meses, e não a uma recuperação repentina do consumo: houve menos cancelamentos e melhor captação nas unidades maduras. A receita dessas unidades voltou a crescer em moeda local após cerca de 12 a 18 meses de queda, e o Plano Black já representa mais de 65% dos alunos, alta de 5 pontos percentuais em um ano.

Câmbio ajuda receita fora do Brasil

Na América Latina fora Brasil e México, o câmbio ajudou a receita, mas o banco também viu crescimento acima do esperado sem o efeito cambial e mais um trimestre forte de rentabilidade.

No Brasil, o TotalPass, rede de academias parceiras, foi o grande destaque. A receita da linha “Outros”, que inclui a plataforma, subiu 50% em um ano, mesmo com a sazonalidade desfavorável do terceiro trimestre. O Itaú BBA estima lucro bruto de cerca de R$ 120 milhões no segmento, alta de 240% sobre o ano anterior e 26% acima do previsto. Para o banco, a principal explicação é a renegociação comercial com parceiros externos, além de uma base de usuários que, segundo as estimativas, cresceu cerca de 16% sobre o trimestre anterior.

A empresa afirmou que alcançou cerca de 40 mil academias no Brasil, contra aproximadamente 45 mil do concorrente, e vê espaço para ao menos mais 15% de cadastramento, num ritmo de cerca de mil parceiros por mês, concentrados em regiões menos atendidas e em academias menores. Conforme a cobertura se aproxima da saturação, o crescimento deve depender mais da aquisição de usuários. A companhia não espera uma nova renegociação ampla com parceiros, apenas ajustes mensais conforme a escala e a força competitiva de cada região.

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Outro dado citado pela Ativa: o desconto do cliente que usa o agregador, considerando preço e frequência, era de cerca de 20% em média em 2025 e já se aproxima da faixa alta de um dígito. A estratégia é aproximar a rentabilidade por cliente, independentemente do canal de acesso. O Itaú BBA acredita que, nos próximos trimestres, os usuários do TotalPass devem gerar uma economia mensal muito próxima à de um aluno que paga direto na academia.

Nem tudo foi positivo. O Itaú BBA aponta que a dinâmica de alunos por academia madura, incluindo usuários do TotalPass, continua fraca. Isso acelerou a queda anual do lucro bruto de caixa por unidade própria da Smart Fit e da margem bruta de caixa, e o banco espera comportamento ainda fraco da receita e do lucro bruto por academia nos próximos trimestres. O trimestre também teve concentração de custos de manutenção.

A administração da Smartfit disse à Ativa que parte da perda de rentabilidade em 2026 era esperada e vem de decisões de expansão, como abrir pontos melhores perto de unidades existentes, o que gera canibalização. A oferta do setor segue crescendo acima da demanda, e a empresa ainda não enxerga equilíbrio entre as duas. Segundo a gestora, a oferta já contratada para os próximos meses pode superar o crescimento realista da demanda.

O principal peso na margem, de acordo com a companhia, são as muitas unidades novas da BioRitmo e da Nation ainda em maturação. As academias maduras tiveram desempenho levemente melhor que no 2T26. A maturação da BioRitmo é historicamente mais lenta que a da Smart Fit, e a recuperação de margem deve acompanhar a evolução das safras recentes.

Oportunidade de consolidação

O Itaú BBA vê no cenário macroeconômico mais difícil uma chance de consolidação. Redes menores e de baixo custo, que operam com margens brutas menores e menos alunos por unidade, estão mais expostas a um efeito de alavancagem operacional negativa. O banco não se surpreenderia com uma desaceleração no ritmo de aberturas dos concorrentes nos próximos trimestres.

Diante do ambiente mais desafiador, a Smart Fit discute maior seletividade nos pontos e maior participação de franquias, sem abandonar a rede própria, considerada importante para a competitividade do TotalPass. A empresa não apresentou metas quantitativas de abertura para 2027 ou 2028, nem definiu um novo mix entre unidades próprias e franqueadas.

Projeções

Seguem os testes de preços por praça no Brasil e no México, incluindo a diferenciação do Plano Black por região no Brasil e a retomada dessa prática no México no fim de julho. Questionada sobre um reajuste recente de 6% no Plano Black em algumas praças, a companhia não confirmou se será nacional. A decisão deve ficar para mais perto do fim do ano e leva em conta a complexidade trazida pela reforma tributária na apresentação dos preços ao consumidor.

Nas despesas administrativas, academias, agregadores e BeOn já mostram diluição em relação às receitas, mas o avanço mais rápido de negócios com despesas proporcionalmente maiores mascara parte desse ganho no consolidado. Ainda haverá investimentos em equipes, processos e sistemas, inclusive comerciais no TotalPass, mas a empresa espera reduzir a relação entre despesas e receita.

O Itaú BBA afirma que a Smart Fit deve ser um dos poucos nomes sem revisões negativas nas estimativas, mesmo incorporando um cenário macro mais difícil para 2027. O Brasil responde por apenas cerca de um terço do Ebitda, e o câmbio deve ajudar a compensar juros mais altos e PIB mais fraco no país. Segundo o banco, as ações negociam a 8,4 vezes o lucro projetado para 2027, com potencial de crescimento anual composto do lucro por ação acima de 20% entre 2027 e 2030. A Ativa mantém recomendação de compra para a Smart Fit.