A perspectiva de dividendos mais robustos ganhou força após o balanço do 3T26 da PRIO (PRIO3), recebido com alta das ações nesta quinta-feira (5). BTG Pactual e Itaú BBA avaliam que a geração de caixa mais forte e a queda da dívida ampliam o espaço para remunerar os acionistas, especialmente em 2027.
Por volta do 12h, os papéis superavam a marca dos 3%. O Ebitda ajustado, antes dos efeitos do IFRS 16, somou US$ 1,07 bilhão, alta de 22% frente ao trimestre anterior. Segundo o Bradesco BBI, ficou 13% acima do consenso. O custo de extração caiu 11%, para US$ 7,90 por barril, com melhorias em Peregrino e maior produção de Wahoo, apontam os relatórios.
O fluxo de caixa livre para o acionista (FCFE) recorrente alcançou US$ 623 milhões, segundo o BBI. A dívida líquida recuou para cerca de US$ 3,5 bilhões, enquanto a relação dívida líquida/Ebitda caiu de 1,5 para 1,1 vez.
“Olhando além do trimestre, os investidores devem permanecer atentos ao ritmo de desalavancagem da PRIO e, mais importante, ao potencial anúncio da aguardada política de remuneração aos acionistas, especialmente porque o atual ambiente de preços elevados do petróleo acelerou a geração de caixa livre”, afirmam Regis Cardoso e Enzo Sozzi, da XP.
Quanto pode ir para os acionistas?
Considerando o Brent a US$ 80 por barril, o BTG estima que a PRIO poderia gerar, em 2027, fluxo de caixa livre para o acionista equivalente a aproximadamente 33% do valor de mercado. Nesse cenário, o banco vê potencial de remuneração aos acionistas próximo de 25%, entre dividendos e recompras.
Para o quarto trimestre de 2026, o Itaú BBA também identifica espaço para pagamentos, mesmo considerando um desembolso esperado de aproximadamente US$ 500 milhões relacionado a Peregrino no período.
“Vemos espaço para recompras ou dividendos que representem um retorno de cerca de 3% no próximo trimestre. Embora ainda modesto em relação ao potencial de geração de caixa que enxergamos para 2027, acreditamos que o quarto trimestre de 2026 pode marcar um ponto de inflexão importante para a remuneração dos acionistas daqui em diante”, afirma o Itaú BBA.
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Recomendações divergem apesar do caixa forte
O BTG Pactual reitera compra, com preço-alvo de R$ 73 em 12 meses. O Itaú BBA também recomenda compra e trabalha com alvo de R$ 73 para o fim de 2027.
Já o Bradesco BBI elevou o preço-alvo para R$ 66 no fim de 2027, incorporando premissas mais altas para petróleo e câmbio. A recomendação, porém, continua neutra.
Vicente Falanga e Ricardo França, do BBI, reconhecem a resiliência dos resultados e a perspectiva de dividendos fortes em 2027. Ainda assim, avaliam que a volatilidade das cotações do petróleo limita a atratividade da relação entre risco e retorno da ação.






