O BTG Pactual atualizou sua carteira recomendada de Small Caps para setembro de 2026, com duas mudanças entre as dez ações selecionadas: Cosan (CSAN3) e Panvel (PNVL3) entraram no portfólio, enquanto Copasa (CSMG3) e Pague Menos (PGMN3) deixaram a seleção.
A nova composição chega após a carteira registrar queda de 1,5% em agosto e acumular recuo de 7,5% no ano. Todas as ações selecionadas para o mês têm peso de 10%.
Segundo o relatório do BTG Pactual, permanecem na carteira Banco Inter (INBR32), Smart Fit (SMFT3), Sanepar (SAPR11), Orizon (ORVR3), 3tentos (TTEN3), Tenda (TEND3), Bemobi (BMOB3) e OceanPact (OPCT3). Com exceção da Sanepar, que recebe recomendação neutra, todos os papéis da seleção para setembro de 2026 têm recomendação de compra.
Cosan e Panvel entram na carteira de Small Caps
Uma das principais novidades para setembro de 2026 é a entrada da Cosan. Na avaliação do BTG, apesar dos avanços na simplificação de sua estrutura, a ação ainda negocia com desconto de holding de aproximadamente 20%. A visão dos analistas é que a tese de investimento da companhia mudou: em vez de financiar um novo ciclo de expansão, o foco passou a ser a monetização dos ativos já construídos.
O banco cita como sinais desse movimento o IPO da Compass e a redução das despesas da holding. A expectativa é de que novas vendas de ativos contribuam para reduzir a dívida. Nesse cenário, os investidores poderiam se beneficiar tanto da diminuição das despesas financeiras quanto de uma eventual redução do desconto atribuído à holding.
A Panvel é a segunda estreante entre as Small Caps selecionadas. O BTG mantém uma visão positiva para o setor farmacêutico, considerado uma das teses mais defensivas dentro de varejo e consumo. Segundo a análise, a companhia combina fundamentos de crescimento, balanço saudável e geração consistente de caixa. O banco também destaca os medicamentos GLP-1 como uma oportunidade estrutural de crescimento e aponta que a Panvel negocia a 10 vezes o lucro projetado para 2026 e 8 vezes para 2027.
Smart Fit, Inter e 3tentos continuam entre as apostas
Entre as empresas mantidas na carteira recomendada de Small Caps, a Smart Fit segue com recomendação de compra. Embora questões relacionadas aos efeitos do TotalPass sobre as margens e à possível canibalização do negócio B2C continuem no radar, o BTG avalia que os números do primeiro semestre mostraram capacidade de ganho de escala da plataforma.
O banco projeta crescimento composto de 30% no lucro por ação da Smart Fit entre 2026 e 2029. A tese também considera a escala da empresa na América Latina, a possibilidade de expansão das margens, o espaço para consolidação em um mercado fragmentado e o crescimento de negócios adjacentes, como o próprio TotalPass.
Já o Banco Inter permanece no portfólio mesmo após uma queda de 39% da ação no ano, segundo o relatório. O BTG afirma que sua confiança na tese aumentou diante da expansão do ROE e de um balanço considerado sólido. Entre 65% e 70% da carteira de crédito possui garantias reais. A ação negociava, segundo as estimativas apresentadas, a 7,3 vezes o lucro de 2026 e 6 vezes o de 2027.
A 3tentos também continua entre as escolhas para setembro de 2026. Apesar da pressão recente sobre as ações após margens industriais mais fracas no segundo trimestre, o BTG diz ver poucas evidências de deterioração estrutural. A instituição destaca os investimentos em processamento de soja, biodiesel e etanol de milho e considera atrativo o valuation de aproximadamente 6 vezes o lucro estimado para 2027.
Tenda, OceanPact, Bemobi e Orizon completam seleção
A Tenda segue na carteira diante da visão positiva do banco para o segmento de habitação de baixa renda. O relatório destaca as mudanças no Minha Casa, Minha Vida e avalia que elas ampliaram a acessibilidade dos compradores, especialmente na Faixa 1, principal foco estratégico da construtora. O BTG também aponta evolução no processo de reestruturação e espera melhora gradual da Alea.
No caso da OceanPact, a análise aponta perspectivas de aceleração dos resultados com a mobilização dos OSVs no segmento de embarcações. O banco também menciona a fusão com a CBO e as reivindicações relacionadas ao UP Coral como elementos relevantes para a tese. No relatório, a OceanPact é classificada como a Small Cap preferida do BTG no setor de óleo e gás.
Bemobi e Orizon também permanecem. Na primeira, o banco destaca crescimento orgânico de 20% na comparação anual, em moeda constante, no segundo trimestre e o nono trimestre consecutivo de expansão de dois dígitos. Para a Orizon, os analistas ressaltam o histórico de alocação de capital, as oportunidades em um setor fragmentado e o potencial de crescimento no segmento de biometano.
Carteira recuou 1,5% em agosto e perde 7,5% no ano
A atualização para setembro de 2026 ocorre após um mês negativo para a estratégia de Small Caps do BTG. Em agosto, a carteira recuou 1,5%, ficando abaixo tanto do Ibovespa, que caiu 0,3%, quanto do índice Small Caps (SMLL), que registrou baixa de 1,3%. Entre os papéis que integravam a seleção no mês, 3tentos avançou 11,2%, Pague Menos subiu 11% e Bemobi ganhou 7,9%. Na outra ponta, Smart Fit caiu 14,7% e Copasa recuou 13,9%.
No acumulado desde o fim de 2025, a carteira registra queda de 7,5%. No mesmo intervalo, o Ibovespa acumula valorização de 10,1%, enquanto o SMLL recua 6,5% e o CDI sobe 9,3%, segundo os dados apresentados pelo BTG.
Apesar do desempenho negativo em 2026, o histórico de longo prazo apresentado no relatório é positivo. Desde julho de 2010, período considerado pelo BTG para acompanhar a estratégia sob a gestão de Carlos E. Sequeira, a carteira acumula valorização de 5.428,4%. No mesmo intervalo, o Ibovespa avançou 191,2% e o índice Small Caps subiu 89,6%. O próprio relatório ressalta, porém, que desempenho passado não é indicador confiável de resultados futuros.






