O Bradesco BBI adotou uma visão mais seletiva para a SLC Agrícola (SLCE3) depois da valorização forte que as ações acumularam recentemente. A leitura vem na esteira do relatório de oferta e demanda agrícola do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, divulgado em setembro.
O argumento não é sobre a companhia, e sim sobre o que sustentou o movimento dos preços. Na avaliação do banco, o avanço dos grãos não veio de uma mudança relevante nos fundamentos.
“A recente alta dos preços dos grãos parece ter sido mais influenciada por posicionamento dos investidores do que por mudanças significativas nos fundamentos de oferta e demanda”, apontam Henrique Brustolin e J. Ricardo Rosalen, analistas do Bradesco BBI.
Milho concentra o aperto
Entre as culturas, o milho apresentou a revisão mais significativa. O déficit global da safra 2026/27 aumentou em 5,1 milhões de toneladas, para 29,3 milhões, alta de 21% ante o mês anterior. A relação entre estoques e uso caiu para 20,7%, recuo de 0,10 ponto percentual no mês e de 2,40 pontos na comparação anual.
A soja teve ajustes modestos. A produção ficou praticamente inalterada e o consumo subiu 0,4 milhão de toneladas. O déficit passou de 0,9 milhão para 1,3 milhão de toneladas, com a relação estoques e uso recuando para 28,0%.
Algodão apertado e arroz com ajustes que se anulam
O algodão manteve o quadro restrito. A produção da safra 2026/27 foi cortada em 0,3 milhão de fardos, com consumo praticamente estável, e o déficit subiu de 5,1 milhões para 5,4 milhões de fardos. A relação entre estoques e uso avançou levemente, para 56,8%, mas acumula queda de 5,30 pontos percentuais em um ano.
No arroz, as revisões foram grandes em ambos os lados e se compensaram. A produção caiu 3,4 milhões de toneladas e o consumo recuou 3,5 milhões, o que levou o déficit de 5,5 milhões para 5,8 milhões de toneladas.
“O relatório reforçou um cenário global mais apertado, especialmente para o milho, mas sem trazer um novo catalisador relevante para os mercados”, observam Brustolin e Rosalen.
Nesse contexto, além da postura mais seletiva com a SLC Agrícola, o banco mantém visão positiva para a Camil (CAML3) e tem a 3tentos (TTEN3) como principal recomendação no setor agrícola.






