O BTG Pactual reiterou a recomendação de compra para Allos (ALOS3) e manteve o preço-alvo de R$ 39,00 em 12 meses. Aos R$ 29,07 da última cotação, o papel tem espaço para subir 34,2%.
Com os proventos somados à valorização esperada, o retorno total projetado chega a 46,1%. O relatório foi publicado na sexta-feira (11), depois de uma reunião do banco com o presidente da companhia, Rafael Sales, e com o diretor de relações com investidores (RI), Diego Canuto.
“Mantemos nossa recomendação de compra para a ação, que negocia a 8 vezes o P/FFO de 2027, com um “suculento” dividend yield de 12%”, afirmam Gustavo Cambauva e Gustavo Fabris, analistas do BTG Pactual.
O FFO, sigla em inglês para geração de caixa operacional, é a métrica usual do setor imobiliário. Em valor de mercado, a companhia soma R$ 14,519 bilhões, com a ação oscilando entre R$ 21,70 e R$ 32,10 nos últimos 12 meses.
Varejo pressionado, shoppings acima da média
Juros altos e endividamento das famílias seguem pesando sobre as vendas do varejo brasileiro. A Allos, contudo, tem entregue desempenho superior ao da indústria, e foi esse descolamento que dominou a conversa.
Sales listou quatro razões aos analistas: portfólio mais resiliente, ajuste contínuo do mix de lojistas, vacância baixa e inadimplência sob controle. A origem desse conjunto, segundo ele, é anterior ao ciclo atual.
“Ele atribui o desempenho a um processo contínuo de qualificação dos shoppings, com rebalanceamento de participações entre ativos menos e mais produtivos e investimentos nos empreendimentos dominantes”, escrevem Cambauva e Fabris.
Dividendos generosos sem perder o controle da alavancagem
O custo de capital elevado tornou a companhia mais criteriosa na hora de investir. A dívida líquida projetada para o fim de 2026 é de R$ 3,871 bilhões, e deve subir para R$ 4,192 bilhões em 2027.
Parte do fôlego vem de dentro de casa. O programa Simplifica Allos ainda deve render ganhos em despesas gerais e administrativas nos próximos trimestres, na avaliação do executivo.
“A empresa deve continuar buscando movimentos oportunistas, via brownfield e fusões e aquisições, mas ainda assim conseguirá manter uma remuneração polpuda ao acionista, com alavancagem controlada em torno de 2 vezes dívida líquida/Ebitda”, apontam os analistas do BTG.
O salto na distribuição é o ponto mais visível da tese. O banco projeta R$ 3,48 por ação em dividendos para 2026, 2027 e 2028, contra R$ 1,42 pagos em 2025. O yield, portanto, saltaria de 5% para 12% ao ano.
Helloo acelera e reforma tributária entra na conta
A Helloo, subsidiária de mídia digital da companhia, vinha sendo tratada como aposta secundária. A leitura mudou: a operação cresce acima do que a própria Allos esperava.
“O segmento de aeroportos está ganhando escala e a companhia vai avançar com mais agressividade em prédios residenciais, o que deve manter as receitas crescendo em ritmo sólido”, observam Cambauva e Fabris.
A reforma tributária fechou a pauta do encontro. Sales avalia que o novo desenho beneficia os shoppings, com efeito mais forte sobre os ativos que dominam suas praças.
“O caso-base da companhia é de repasse integral da alíquota do IVA, conforme previsto em seus contratos de aluguel”, dizem os analistas do BTG Pactual, referindo-se ao Imposto sobre Valor Agregado.
Nas contas do banco, a receita chega a R$ 2,962 bilhões em 2026, com Ebitda de R$ 2,179 bilhões e lucro líquido de R$ 802 milhões. O preço-alvo sai de um modelo de fluxo de caixa descontado ao acionista, com custo de capital próprio nominal de 15% e crescimento de 4,8% na perpetuidade.
Entre os riscos apontados estão oscilações da atividade econômica que afetem a ocupação, alta de juros com menor disponibilidade de capital, competição por ativos nos mercados primário e secundário e execução na locação e no desenvolvimento de novos projetos.






