O Santander (SANB11) promoveu uma alteração na Carteira Ibovespa+, substituindo a Totvs (TOTS3) pela Multiplan (MULT3), em meio aos riscos percebidos no setor de tecnologia e ao maior potencial de valorização da administradora de shoppings.
Segundo a equipe de research do banco, embora a Totvs mantenha uma tese construtiva no longo prazo e recomendação de compra, os temores de disrupção no setor de tecnologia — especialmente quanto à sustentabilidade do crescimento das empresas de software diante do avanço de soluções potencializadas por IA — podem limitar o apetite dos investidores pelas ações do segmento.
“Assim, optamos por realizar o ganho de aproximadamente de 42% de TOTS3 desde a inclusão da ação no portfólio, em setembro de 2020”, explicou o Santander.
Por que o Santander escolheu a Multiplan?
Os analistas elevaram o preço-alvo da Multiplan de R$ 39,50 para R$ 44,80 e reiteraram a companhia como a Top Pick do setor de shoppings.
O banco destaca que a visão construtiva para a empresa é sustentada por uma combinação de fatores:
- resiliência dos lucros;
- portfólio robusto de shoppings dominantes, que tende a se fortalecer ainda mais após as revitalizações;
- valuation atrativo, com as ações negociadas a um P/AFFO de 13,8x, ante média histórica de 15,4x;
- sólido rendimento de FCL de 7,2% em 2026E; e
- potencial revisão altista de 13% nas estimativas de consenso do AFFO para 2027, refletindo principalmente o impacto positivo da reforma do IVA.
Além disso, o banco ressalta o forte potencial da Multiplan para entregar reajustes reais nos aluguéis no futuro, decorrentes tanto de aumentos contratuais quanto de spreads positivos de locação.
Esse movimento deve ser impulsionado por:
- o sólido histórico de desempenho de vendas, independentemente do ambiente macroeconômico; e
- a baixa disponibilidade de ABL vaga em ativos dominantes no Brasil.
“A Multiplan apresentou mais um sólido conjunto de resultados no 4T25, com AFFO de R$ 570 milhões, superando nossas estimativas em 14%. No âmbito operacional, destacamos: mais um trimestre com inadimplência líquida negativa, em -0,4%; e uma sólida taxa de ocupação de 96,6%, queda de apenas 11 bps na comparação anual”, informou o Santander.
“Além disso, as vendas totais cresceram 5,3% na base anual, resultando em avanço de 4,0% nas Vendas Mesmas Lojas (SSS). Observamos também que a companhia iniciou 2026 de forma positiva, com crescimento de 8,5% a/a nas vendas de janeiro”, acrescentou o banco.
Por fim, o Santander apontou os principais direcionadores de destravamento de valor para a Multiplan:
- reajustes de aluguel, acompanhados da recuperação do tráfego nos shoppings;
- adaptação dos ativos às novas dinâmicas omnicanal;
- investimentos em soluções tecnológicas e startups; e
- melhora do ambiente macroeconômico, com consequente redução das taxas de juros de longo prazo no Brasil.
Por outro lado, os riscos são aumentos na taxa Selic, levando a maiores despesas financeiras; concorrentes aumentando a quantidade de ABL em cidades com excesso de oferta; reforma tributária, que poderá impactar negativamente os impostos do setor; e taxa de desemprego a cima do esperado, levando a uma desaceleração das vendas no varejo e, consequentemente, aumentos nas taxas de vacância e inadimplência.
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