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Santander reforça convicção na redução de riscos, diz BTG após teleconferência do banco 

Santander reforça convicção na redução de riscos, diz BTG após teleconferência do banco 

Banco mantém estratégia mesmo com impacto sobre receitas, margens e rentabilidade durante a transição

A teleconferência do Santander (SANB11) após os resultados do segundo trimestre reforçou, na avaliação do BTG Pactual (BPAC11), a convicção da administração na estratégia de reduzir a exposição a clientes e produtos de maior risco.

O banco continuará diminuindo a participação de pessoas de menor renda e de linhas de crédito sem garantia, enquanto prioriza clientes de renda mais elevada e financiamentos garantidos por ativos.

“A administração reiterou que reduzir a exposição a clientes e produtos mais arriscados continua sendo a estratégia correta, apesar do impacto de curto prazo”, afirmam os analistas Eduardo Rosman, Ricardo Buchpiguel e Antonio Pascale.

A estratégia, contudo, contribui para um período difícil de transição dos resultados. O lucro líquido ajustado alcançou R$ 3 bilhões no 2T26, queda de 20% frente ao trimestre anterior e de 18% na comparação anual. O resultado ficou 16% abaixo do consenso, enquanto o retorno sobre o patrimônio líquido, conhecido pela sigla ROE, recuou para aproximadamente 12%.

O BTG mantém recomendação neutra para as ações do Santander Brasil, com preço-alvo de R$ 32. O valor representa potencial de valorização de 15,6% sobre a cotação considerada no relatório.

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BTG vê estratégia correta apesar da pressão sobre os lucros

A convicção da administração está baseada na expectativa de que uma carteira de crédito menos arriscada permitirá ao Santander apresentar uma rentabilidade mais previsível e menos sujeita a oscilações.

No último ano, a carteira do segmento Select cresceu 8%, enquanto a destinada às pessoas físicas de menor renda recuou na mesma proporção.

Essa substituição reduz os riscos, mas também limita a rentabilidade imediata. Segundo a administração, os clientes de maior renda geram aproximadamente metade do spread obtido com os tomadores de menor renda.

Ao mesmo tempo, o Santander ainda precisa constituir provisões relacionadas aos créditos concedidos anteriormente para clientes de maior risco.

“A transição combina receitas menores da nova carteira com provisões ainda elevadas do portfólio antigo, criando pressão no curto prazo”, destaca o BTG.

Para os analistas, essa combinação explica por que a redução dos riscos ainda não se converteu em uma melhora dos resultados. Os benefícios deverão aparecer conforme as concessões mais recentes ganharem participação na carteira e os créditos antigos forem amortizados ou reconhecidos como perdas.

Redução de riscos pressiona margem do Santander

A mudança da composição da carteira explicou cerca de 30 pontos-base da queda de aproximadamente 40 pontos-base da margem financeira no trimestre.

O Santander ainda possui aproximadamente 40% da carteira de crédito para pessoas físicas ligada a clientes de menor renda. Dessa forma, a readequação do portfólio deverá exigir mais tempo antes de aparecer integralmente nos indicadores de inadimplência e rentabilidade.

A qualidade dos ativos também foi afetada por casos específicos no atacado, clientes do agronegócio, pessoas físicas de menor renda e alterações relacionadas à nova política de baixas contábeis.

A administração admitiu que poderá realizar ajustes adicionais nos modelos de provisão no quarto trimestre devido à deterioração da carteira do agronegócio. O possível impacto ainda não foi quantificado.

Apesar dessas pressões, o Santander afirmou que as concessões mais recentes apresentam desempenho melhor, reforçando a avaliação de que o novo perfil da carteira deverá reduzir a volatilidade dos lucros ao longo do tempo.

Santander não pretende disputar participação de mercado

A convicção na redução de riscos também deverá orientar o crescimento do crédito nos próximos trimestres. O banco pretende manter uma postura conservadora enquanto a visibilidade sobre o cenário econômico permanecer limitada.

“O banco não está focado em defender participação de mercado e continuará jogando com segurança enquanto a visibilidade macroeconômica permanecer limitada”, aponta o relatório.

Entre as pessoas físicas, o apetite está concentrado nos clientes Select, no financiamento imobiliário, no crédito para veículos e em outras linhas com garantia.

Nos empréstimos sem garantia para clientes com renda inferior a R$ 4 mil, a administração reconhece que instituições especializadas conseguem operar com maior eficiência. O Santander poderá continuar atendendo esse público de forma seletiva, mas não pretende elevar de maneira relevante sua disposição para assumir riscos.

No segmento empresarial, o banco demonstra interesse em ampliar a exposição a grandes companhias, desde que preserve a disciplina de preços. Entre as pequenas e médias empresas, aproximadamente 40% da carteira possui garantias.

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BTG vê recuperação gradual a partir de 2027

A postura cautelosa reduz as perspectivas de uma aceleração forte das receitas. A administração indicou que o crescimento deverá permanecer mais próximo da faixa inferior de um dígito em 2026.

Além da expansão moderada do crédito, a migração para clientes com spreads menores e a redução do CDI médio pressionaram a margem financeira. Em contrapartida, os depósitos transacionais cresceram 18% em 12 meses, contribuindo para melhorar a composição do funding.

Os cartões também apresentaram desempenho positivo, sustentados pelo aumento das transações e pela maior participação do Santander nos gastos dos clientes. Receitas com investimentos, seguros, assessoria e o programa Santander Rewards serão importantes para elevar a rentabilidade sem exigir novas provisões.

“O início de 2027 pode marcar uma melhora da margem financeira ajustada ao risco e da qualidade dos ativos, embora o ritmo permaneça incerto”, afirma o BTG.

A aproximação da ambição de ROE de 20% dependerá da expansão das receitas sem risco de crédito, da melhora do resultado de funding, da disciplina de custos, da normalização das provisões e da recuperação da margem financeira com o mercado.

Mesmo diante da pressão sobre os lucros, o Santander reafirmou a política de distribuir 50% do resultado aos acionistas.