O Safra projeta um cenário misto para a próxima temporada de balanços das empresas de transporte sob sua cobertura, com cinco companhias entregando resultados positivos, três neutros e uma no prejuízo.
Em relatório, o banco aponta Motiva (MOTV3), Movida (MOVI3), Localiza (RENT3), Hidrovias do Brasil (HBSA3) e Vamos (VAMO3) como destaques positivos do primeiro trimestre de 2026.
No campo neutro, ficam Rumo (RAIL3), Ecorodovias (ECOR3) e JSL (JSLG3). Já a Simpar (SIMH3) deve ser o ponto negativo do trimestre, com prejuízo líquido projetado de R$ 60 milhões diante da pressão de despesas financeiras que somariam R$ 2 bilhões no período. A Ecorodovias, embora classificada como resultado neutro, deve registrar queda de 39,5% no lucro líquido, para R$ 89 milhões.
Locadoras puxam destaque
A Localiza, com recomendação de compra do Safra, deve entregar Ebitda de R$ 3,7 bilhões no trimestre, alta de 13% na comparação anual. O segmento de Gestão de Frotas tende a crescer 11%, atingindo R$ 1,7 bilhão de Ebitda, com expansão de 407 bps na margem. Já o segmento de Aluguel de Carros (RAC) deve avançar 14%, para R$ 1,9 bilhão, com ganho de 251 bps de margem. Apesar do aumento de 15,5% nas despesas financeiras, o lucro líquido deve saltar 15,7%, alcançando R$ 974 milhões.
A Movida, com recomendação neutra, já divulgou prévia operacional positiva. O Ebitda deve atingir R$ 1,6 bilhão, alta de 17,2% no comparativo anual, impulsionado pelo negócio de locação. A melhora operacional se traduz em recuperação do lucro líquido, projetado em R$ 125 milhões, avanço de 60% ante o mesmo período do ano anterior.
Para a Vamos, com recomendação de compra, o Safra prevê resultado levemente positivo, com Ebitda crescendo 8,1%, para R$ 958 milhões. A taxa de utilização da frota deve avançar 2,4 p.p., para 87%. Contudo, o aumento de 11,9% nas despesas financeiras líquidas, refletindo alta de 42 bps na taxa média de juros frente ao trimestre anterior, deve pressionar o resultado final. O lucro líquido tende a recuar 16%, para R$ 85 milhões.
Concessões com sinais mistos
Dentro do segmento de infraestrutura, o Safra destaca a Motiva (compra) como o melhor desempenho. O lucro líquido ajustado deve alcançar R$ 530 milhões, recuo de 1,7% no ano, enquanto o Ebitda tende a crescer 15%. A margem Ebitda deve se expandir em 149 bps, para 65,4%.
“Vemos o desempenho positivo sendo sustentado pelo ramp-up das concessões rodoviárias recentemente adicionadas, pela rescisão de contratos deficitários e pelo forte desempenho operacional da concessão RioSP”, afirmam os analistas do Safra no relatório.
A Rumo (compra) deve apresentar resultado neutro no trimestre, segundo o banco. A companhia já reportou crescimento de 25,5% nos volumes transportados, mas a queda de 10% nas tarifas médias tende a limitar o avanço da receita líquida a 7,8%. O Ebitda projetado cresce apenas 1,2%, com a margem recuando para 52%, ante 55,1% no primeiro trimestre de 2025.
“A pressão tarifária observada no trimestre reforça nossa visão de um ambiente competitivo mais desafiador em 2026, que pode aliviar sob um cenário forte de El Niño, já que reduziria a capacidade logística do Arco Norte no segundo semestre de 2026”, apontam os analistas.
A Ecorodovias (neutro) também deve registrar números neutros do ponto de vista operacional, com receita e Ebitda crescendo 8% e 8,1%, respectivamente. O início da cobrança de pedágio em três praças da Ecovias Noroeste Paulista e o ramp-up da Ecovias Raposo Castello sustentam o avanço. No entanto, o aumento de 10% nas despesas financeiras deve derrubar o lucro líquido em 39,5%, para R$ 89 milhões.
A Hidrovias do Brasil (neutro), apesar de volumes estáveis, deve se beneficiar de tarifas mais altas nos corredores Norte e Sul, com avanços de Ebitda de 4,2% e 12,4%, respectivamente. O Safra também aponta o impacto positivo da alienação do negócio de Navegação Costeira, que registrou Ebitda negativo de R$ 21 milhões no primeiro trimestre de 2025. O Ebitda consolidado projetado é de R$ 238 milhões, alta de 14%.
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Logística sob pressão
A JSL (compra) deve entregar resultado neutro no trimestre, com prejuízo líquido ajustado de R$ 5 milhões, segundo o Safra. O Ebitda consolidado projetado é de R$ 466 milhões, avanço de 10% no ano, sustentado por margem resiliente de 19,7%. O banco vê crescimento modesto de receita após o encerramento de contratos sem rentabilidade. As despesas financeiras líquidas, em R$ 262 milhões, seguem pressionando o resultado final.
A Simpar (neutro) é a única companhia para a qual o Safra projeta resultado negativo no trimestre, com prejuízo líquido estimado em R$ 60 milhões. Apesar da melhora operacional esperada em Movida e Vamos, o resultado consolidado deve seguir pressionado pelo avanço de 10% nas despesas financeiras líquidas, que somariam R$ 2 bilhões.
“Esse impacto deve ser parcialmente compensado pela venda da Ciclus, cujas entradas de caixa tiveram início em dezembro e devem ajudar a aliviar a pressão sobre as despesas financeiras líquidas”, destacam os analistas do Safra, ao apontar que a alavancagem ainda elevada do grupo e a maior taxa média de juros do período seguem como os principais entraves para o resultado.






