As ações da Sabesp (SBSP3) caíam com força nesta quinta-feira (13), em meio à repercussão dos resultados do segundo trimestre de 2026. Por volta das 11h12, os papéis recuavam 5,93%, cotados a R$ 24,57.
Na avaliação do BTG Pactual (BPAC11), a companhia apresentou números mais fracos do que o esperado, especialmente por causa da compressão das margens e do aumento dos custos. O Ebitda ajustado alcançou R$ 3,49 bilhões, resultado 13,5% inferior aos R$ 4,03 bilhões projetados pelo banco e 3,3% abaixo do registrado um ano antes.
A margem Ebitda ajustada ficou em aproximadamente 58%, ante estimativa de 65,3% do BTG e 64% no segundo trimestre de 2025. No primeiro trimestre deste ano, o indicador estava próximo de 63%.
“A Sabesp apresentou números mais fracos do que o esperado no segundo trimestre. O Ebitda ajustado ficou em R$ 3,5 bilhões, ante R$ 4,03 bilhões projetados. Cerca de 30% da diferença veio de receitas mais fracas, enquanto 70% foi provocada por custos mais elevados”, afirmou o BTG.
Custos respondem pela maior parte da frustração
A receita líquida da Sabesp totalizou R$ 6,01 bilhões, crescimento de 6,7% na comparação anual, mas ficou 2,5% abaixo da estimativa do banco. Segundo o relatório, o desempenho foi afetado pelas temperaturas mais baixas e por um mix tarifário menos favorável.
O maior desvio, entretanto, veio das despesas. Os custos em dinheiro ficaram 18% acima da projeção do BTG. Somente a linha de serviços superou a estimativa em R$ 245 milhões, enquanto os custos de tratamento alcançaram aproximadamente o dobro do previsto.
As despesas com inadimplência também pressionaram o resultado. O valor atingiu R$ 164 milhões, diante dos R$ 113 milhões estimados pelo banco. Como contraponto, os gastos com pessoal, energia e despesas gerais apresentaram comportamento considerado positivo.
O lucro líquido reportado somou R$ 1,46 bilhão, superando em 5,6% a projeção de R$ 1,39 bilhão do BTG. Na comparação anual, porém, o resultado caiu 31,5%. O banco calcula que, após os ajustes, o lucro ficou próximo de R$ 1,15 bilhão, refletindo a frustração operacional. Despesas financeiras e impostos menores do que o previsto ajudaram a sustentar o número reportado.
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BTG prevê outro trimestre fraco
A Sabesp apresentou uma simulação segundo a qual o Ebitda recorrente teria alcançado R$ 3,96 bilhões com a normalização da temperatura, do mix tarifário e da base de custos. Nesse cenário, a diferença para a projeção do BTG seria de apenas 1,7%.
A companhia estima que somente R$ 70 milhões dos aproximadamente R$ 370 milhões em custos acima da projeção teriam caráter recorrente. O banco, contudo, sinalizou que a pressão não deve desaparecer imediatamente.
“Com base em conversas recentes, a administração parece esperar que o terceiro trimestre também seja fraco. O ponto positivo é que a gestão prevê que apenas uma parcela dos custos mais elevados volte a se repetir em 2027”, informou o BTG.
Apesar da leitura negativa sobre o trimestre, o banco manteve recomendação de compra e preço-alvo de R$ 32 para a Sabesp.
O BTG avalia que a correção abriu uma oportunidade para investidores de longo prazo, mas reconhece que a mensagem mais cautelosa sobre os custos deve continuar pressionando os papéis no curto prazo.







