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BTG defende Sabesp após queda e diz que tese de longo prazo não mudou

BTG defende Sabesp após queda e diz que tese de longo prazo não mudou

Capex de 2026 deve ficar abaixo dos R$ 20 bilhões esperados pelo mercado após acidente de maio e ajustes na execução de obras com o regulador

As ações da Sabesp (SBSP3) sofreram uma correção nos últimos dias que levou investidores a buscar explicações sobre os motivos do movimento. O BTG Pactual recebeu o diretor financeiro da companhia, Daniel Szlak, em seu escritório no Rio de Janeiro para reuniões com a comunidade de investidores da cidade.

Após o encontro, o banco avalia que o ruído é de curto prazo e que a tese de longo prazo da companhia permanece intacta.

“A mensagem trazida pelo CFO foi mais conservadora no curto prazo, notavelmente para o segundo e o terceiro trimestres de 2026”, afirmam Antonio Junqueira, Gisele Gushiken e Maria Schutz, analistas do BTG Pactual.

Entre os fatores citados: temperaturas mais baixas que afetaram volumes, mix tarifário ligeiramente pior, Capex abaixo das expectativas e despesas com qualidade de serviço mais elevadas no curto prazo.

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Ruídos de curto prazo, não mudança estrutural

O Capex de 2026 deve ficar abaixo dos R$ 20 bilhões esperados pelo mercado. O acidente de 11 de maio — que custou a vida de quatro pessoas — levou a empresa e o regulador a acordarem ajustes na execução de obras e intervenções.

Outros fatores, como fornecedores, também devem deslocar parte do Capex de 2026 para 2027. No entanto, o BTG avalia que isso não deve afetar o importante fator-u — indicador regulatório central para a tese da companhia.

“Nada dramático e nada que deva, na perspectiva da companhia, afetar o tão importante fator-u”, ressaltam os analistas.

Quanto ao mix tarifário e aos volumes, o banco considera que essas variáveis, embora possam adicionar ou subtrair algum valor entre os ciclos tarifários, são pequenas em relação ao valor de mercado da Sabesp.

As despesas com qualidade de serviço também foram mencionadas como fator de pressão no curto prazo.

A companhia está conduzindo um esforço para melhorar a percepção dos paulistanos sobre a qualidade do serviço, com gastos significativos em marketing — em sua maioria não recorrentes — e iniciativas adicionais, como maiores despesas com call center, de caráter predominantemente recorrente.

Programa de corte de custos não está encerrado

Um ponto que gerou mal-entendido na reunião foi a percepção de que o programa de corte de custos da Sabesp teria chegado ao fim. O BTG discorda dessa leitura.

“Alguns investidores saíram da reunião com a impressão de que as iniciativas de redução de custos da companhia estavam encerradas — o que não é o caso”, alertam Junqueira, Gushiken e Schutz.

Os analistas explicam que o incentivo regulatório funciona de forma estratégica: a eficiência compartilhada com os consumidores é baseada no segundo ano mais eficiente do ciclo. Isso estimula a empresa a realizar grandes cortes no primeiro ano, seguidos de ajustes menores nos anos seguintes.

“É razoável esperar que a companhia tenha iniciativas relevantes de corte de custos a implementar no quinto ano do ciclo e no ciclo seguinte”, concluem os analistas do BTG.

Cortar excessivamente os custos no segundo ano apenas para elevá-los novamente no quarto seria prejudicial ao valor presente líquido da empresa.