A Sabesp (SBSP3) entregou mais um conjunto robusto de resultados no primeiro trimestre de 2026, com Ebitda ajustado de R$ 3,78 bilhões — alta de 26% a 27% anual, dependendo da metodologia — e lucro líquido ajustado de R$ 1,55 bilhão.
Os números vieram em linha com as estimativas do BTG Pactual e 4% abaixo da projeção do Safra, mas 5% acima do consenso de mercado.
Para os analistas Antonio Junqueira, Gisele Gushiken e Maria Schutz, do BTG, o resultado confirma a trajetória positiva da companhia.
“O Ebitda ajustado de R$ 3,78 bilhões ficou em linha com nossas estimativas e avançou 26% anual, refletindo principalmente o reajuste tarifário, iniciativas comerciais bem-sucedidas e controle de custos”, afirmam os analistas.
Custos gerenciáveis impressionam
O controle de despesas foi o grande destaque do trimestre. Os custos de pessoal caíram 26% a 27% anual, reflexo da redução de 13% no quadro de funcionários após a privatização da companhia.
“Os custos de pessoal foram de R$ 485 milhões, bem abaixo da nossa estimativa de R$ 600 milhões, com queda de 26% anual decorrente da redução de 13% no quadro de funcionários e otimizações”, detalham Junqueira, Gushiken e Schutz.
As despesas com devedores duvidosos também surpreenderam positivamente, caindo de R$ 147 milhões no primeiro trimestre de 2025 para apenas R$ 54 milhões no período atual. Os custos de energia recuaram 13% anual com a migração para o mercado livre.
Contudo, os custos não gerenciáveis pressionaram o resultado. “O resultado foi parcialmente compensado por volumes mais fracos e alguma pressão de custos não gerenciáveis”, reconhecem os analistas Carolina Carneiro, Daniel Travitzky e Ricardo Bello, do Safra.
Reajuste tarifário e volumes abaixo do esperado
A receita líquida de serviços de saneamento atingiu R$ 6,02 bilhões, alta de 11% anual — ligeiramente abaixo das estimativas dos dois bancos.
O reajuste tarifário de 9,1% aprovado para 2026 foi o principal vetor positivo, mas os volumes faturados ficaram estáveis — abaixo das projeções —, impactados por temperaturas mais amenas, menor consumo por habitação e pela falta de faturamento de dois dias em março por migração de sistema.
Metas de universalização avançam
O capex de R$ 3,7 bilhões no trimestre — alta de 31% anual — segue financiando a expansão da infraestrutura. A companhia já cumpriu 87% da meta de novas ligações de água, 77% de coleta de esgoto e 71% de tratamento de esgoto do ciclo 2024–2026.
Entretanto, a relação dívida líquida sobre Ebitda subiu de 2,2 para 2,4 vezes no trimestre, reflexo das elevadas necessidades de capex.
O BTG mantém visão positiva sobre o papel. Já o Safra mantém recomendação neutra.
“Mantemos nossa recomendação neutra com base na valuation, estimando um IRR real limitado de 7%, comparado à média dos pares de 9,7%”, concluem Carneiro, Travitzky e Bello.






