A perspectiva para o mercado de implementos rodoviários no Brasil ficou mais desafiadora e trouxe um sinal de alerta para a Randon (RAPT4). Em relatório após reunião com a Associação Nacional dos Fabricantes de Implementos Rodoviários (Anfir), o banco Safra avaliou que o cenário para a companhia é negativo, diante da piora das projeções de demanda, da pressão sobre as margens e da ausência de gatilhos claros para uma recuperação consistente do setor.
A principal revisão veio nas estimativas de vendas de implementos pesados. A Anfir passou a projetar cerca de 65 mil unidades comercializadas em 2026, uma queda de 8% em relação ao ano anterior. A previsão anterior era de 70 mil unidades, o que representaria praticamente estabilidade na comparação anual. Para os analistas, a revisão reforça a desaceleração do mercado e indica que a recuperação esperada para o segmento deve demorar mais do que o previsto.
O cenário também se deteriorou no mercado de implementos leves. A expectativa inicial de vendas próximas de 80 mil unidades foi reduzida para cerca de 65 mil unidades, ampliando o descompasso entre as projeções feitas no início do ano e a realidade observada pelo setor.
Combinação de fatores
Outro ponto que preocupa é a rentabilidade das fabricantes. Segundo a Anfir, as empresas enfrentam uma combinação de demanda enfraquecida, juros elevados, aumento dos custos de produção — especialmente do aço — e dificuldades para repassar integralmente essas altas aos clientes.
Nesse contexto, a associação indicou que a Randon tem adotado uma estratégia comercial mais agressiva em preços para sustentar volumes de vendas. Embora essa postura possa ajudar a preservar participação de mercado, ela também tende a aumentar a pressão sobre as margens da companhia e de todo o setor.
A expectativa em torno do programa Move Brasil, criado para estimular a renovação de frota, também perdeu força. A Anfir estima que cerca de R$ 2 bilhões possam ser destinados à compra de implementos rodoviários, mas destaca que o atraso do governo em divulgar as regras definitivas provocou uma paralisação temporária dos pedidos em maio.
Muitos transportadores optaram por adiar decisões de compra à espera de condições de financiamento mais favoráveis. Além disso, existe o risco de que o programa apenas antecipe aquisições que ocorreriam mais à frente, sem necessariamente gerar crescimento adicional da demanda.
No agronegócio, um dos mercados mais importantes para a Randon, a situação segue desafiadora. Embora os implementos voltados ao setor rural apresentem desempenho melhor que a média da indústria, com queda de 7% no acumulado do ano ante retração de 13% do mercado total, os produtores continuam enfrentando juros elevados, aumento dos custos de fertilizantes e pressão sobre a rentabilidade das operações.
Por outro lado, nem todas as notícias são negativas. As exportações aparecem como um importante fator de compensação para a fraqueza do mercado doméstico. A Anfir projeta que os embarques brasileiros de implementos rodoviários superem 6 mil unidades em 2026, acima das 5,1 mil registradas em 2025.
A Argentina tem sido a principal responsável por esse movimento. O país já ocupa a terceira posição entre os destinos das exportações brasileiras do setor, atrás apenas de Chile e Paraguai. Além dos implementos, fabricantes nacionais também vêm ampliando as vendas de autopeças para o mercado argentino.
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