A Engie (EGIE3) deve continuar enfrentando um dos principais desafios do setor elétrico brasileiro nos próximos anos: o aumento dos cortes na geração de energia renovável. Em relatório divulgado nesta sexta-feira, a Ativa Investimentos afirma que esse cenário limita a capacidade da companhia de capturar ganhos adicionais no mercado de energia, mesmo com a execução consistente de seus projetos.
Segundo a casa de análise, o problema é estrutural e ainda está longe de uma solução definitiva. Com a expansão da geração por fontes eólica e solar no Brasil, aumentaram também os chamados cortes de geração, ou “curtailment”, mecanismo utilizado pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) para manter o equilíbrio da rede quando há excesso de oferta ou limitações na transmissão de energia.
Os números mostram a dimensão do problema. Ao fim de 2025, os cortes de geração chegaram a 21% da produção da companhia, praticamente o dobro dos 11% registrados em 2024.
Menor flexibilidade
Na avaliação da Ativa, a Engie também possui menor flexibilidade em seu balanço energético até 2028, o que reduz sua capacidade de aproveitar momentos de preços elevados da energia para compensar os impactos dessas restrições operacionais.
Apesar desse ambiente mais desafiador, a corretora destaca que a empresa continua apresentando uma execução operacional consistente. Entre os avanços recentes estão a operação integral do complexo fotovoltaico Assú Sol, o andamento dos projetos de transmissão Asa Branca e Graúna, além da conquista de novos ativos nos leilões de transmissão e de reserva de capacidade realizados em 2026.
Outro ponto positivo citado no relatório é a estratégia adotada para incorporar a participação de 40% na hidrelétrica de Jirau. A operação será realizada por meio de uma oferta primária de ações, evitando um aumento adicional da alavancagem financeira da companhia, que encerrou o primeiro trimestre de 2026 em 3,2 vezes.
Ainda assim, os analistas ponderam que a aquisição deve gerar benefícios graduais. Isso porque a participação não garante o controle do ativo, parte da energia já está comprometida em contratos de longo prazo e a usina possui características operacionais que limitam ganhos adicionais em momentos de preços elevados.
Diante desse cenário, a Ativa revisou o preço-alvo das ações da Engie de R$ 43 para R$ 33, mantendo recomendação neutra. Para a corretora, a companhia segue apresentando fundamentos sólidos e boa capacidade de execução, mas os desafios estruturais do setor elétrico e o potencial limitado de geração de valor no curto prazo restringem uma visão mais otimista para o papel.
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