As ações das principais operadoras de telecomunicações do Brasil sofreram pressão após a divulgação dos resultados do segundo trimestre de 2026, em meio ao receio dos investidores de que um ambiente mais promocional pudesse marcar o início de uma nova guerra de preços no setor. Para o Safra, porém, os sinais observados até agora não sustentam essa leitura.
Em relatório, o banco afirma que a competição recente entre Vivo, TIM e Claro está concentrada em ajustes pontuais de portfólio, principalmente por meio da ampliação das franquias de dados e do lançamento de novos produtos de entrada, enquanto os preços nominais dos planos móveis permanecem praticamente inalterados.
“As recentes movimentações representam uma defesa de portfólio, e não o início de uma guerra de preços mais ampla.”
Segundo a análise, a única redução relevante de preço identificada ocorreu na banda larga de fibra da Vivo, que reduziu o valor do plano de 1 Gbps de R$ 300 para R$ 200. Para o Safra, a medida teve como objetivo corrigir uma diferença em relação aos concorrentes, sem indicar uma reprecificação generalizada do mercado.
A avaliação do banco foi baseada tanto nos comentários das administrações das operadoras durante a divulgação dos resultados quanto em uma pesquisa de preços realizada no varejo da cidade de São Paulo.
Competição varia por segmento, sem liderança absoluta
O levantamento mostra que nenhuma das três operadoras oferece a proposta mais competitiva em todas as categorias. A Vivo aparece com a melhor oferta no segmento pré-pago e, após ampliar a franquia de seu plano Controle básico para 46 GB mantendo o preço de R$ 59, passou a competir em igualdade com a TIM na categoria de entrada.
Já a TIM lidera em competitividade nos planos Controle intermediários, nos planos pós-pagos básicos e na banda larga de 1 Gbps. A Claro, por sua vez, apresenta a oferta mais barata na banda larga de entrada.
Na visão do Safra, esse equilíbrio reforça que o setor continua racional do ponto de vista comercial.
“O panorama atual do varejo mostra diferentes concorrentes liderando em diferentes segmentos, em vez de uma única operadora praticando preços abaixo do mercado em todo o seu portfólio.”
O relatório destaca ainda que o aumento da competição tem ocorrido mais por meio da ampliação das franquias de dados do que por cortes de preços. A Vivo elevou o volume de dados do plano Controle básico de 35 GB para 46 GB sem alterar o preço, enquanto a TIM lançou o plano TIM Fit, com características semelhantes ao Vivo Easy Lite.
Esses novos produtos ocupam um espaço intermediário entre o pré-pago tradicional e os planos Controle, oferecendo preços mais baixos em troca de pagamento recorrente via cartão de crédito. Para o banco, o principal objetivo dessas ofertas é aumentar a monetização da base pré-paga e estimular maior recorrência de receita, e não reduzir preços para clientes já atendidos pelos planos convencionais.
Apesar disso, os analistas afirmam que será importante acompanhar se essas novas modalidades acabarão atraindo clientes dos próprios planos Controle, o que poderia pressionar a receita média por usuário (ARPU) das operadoras.
Vivo segue como a favorita do Safra
Mesmo reconhecendo que a TIM apresenta preços mais agressivos em algumas categorias, o Safra mantém preferência pelas ações da Vivo. A justificativa está na maior qualidade de sua base de clientes, na estratégia de convergência entre telefonia móvel, fibra e serviços digitais e na maior diversificação das fontes de receita.
Segundo o banco, essas características tornam a companhia menos dependente de promoções pontuais no mercado móvel e contribuem para níveis menores de cancelamento de clientes.
“A base de clientes premium da Vivo, o posicionamento convergente e a composição de receitas mais ampla oferecem melhor proteção caso o ambiente promocional persista.”
Para os analistas, a TIM continua mais exposta ao desempenho do mercado móvel e à evolução da receita média por usuário (ARPU), o que aumenta sua dependência da manutenção da disciplina competitiva entre as operadoras.
O principal risco para a tese do banco seria uma mudança no comportamento do setor, com reduções nominais de preços nos planos Controle e pós-pagos, ampliação das promoções para toda a base de clientes ou uma aceleração na oferta de dados sem crescimento proporcional da receita.
Até o momento, contudo, o Safra considera que as evidências apontam para um mercado ainda disciplinado. Após a recente correção das ações do setor, o banco mantém visão positiva para as telecomunicações brasileiras e segue vendo a Vivo como a empresa mais bem posicionada para enfrentar um ambiente competitivo mais intenso.






