As ações da Randon (RAPT4) e Frasle (FRAS3) registraram forte queda no pregão desta segunda-feira (22) após a divulgação dos dados operacionais de maio, em um movimento que refletiu a preocupação dos investidores com a desaceleração da demanda no setor de veículos pesados. Por volta do início da tarde, os papéis da Randoncorp acumulavam perdas próximas de 5%, enquanto as ações da Frasle Mobility recuavam cerca de 4%.
Os números divulgados pelas companhias vieram abaixo do desempenho observado no mesmo período do ano passado e reforçaram a leitura de um mercado ainda pressionado pelos elevados custos de financiamento, pela renovação mais cautelosa das frotas e por um ambiente macroeconômico desafiador.
A Randoncorp reportou receita líquida consolidada de R$ 1,06 bilhão em maio, queda de 8,4% na comparação anual e de 4,4% frente a abril. Excluindo a contribuição da Frasle Mobility, a receita da companhia totalizou R$ 611 milhões, representando retração de 10% em relação ao mesmo mês de 2025.
Na avaliação do Banco Safra, o resultado deve ser interpretado negativamente pelo mercado.
“Acreditamos que esse desempenho mais fraco pode estar relacionado ao programa Move Brasil, já que alguns clientes provavelmente adiaram compras até o lançamento do programa no fim de maio, deslocando parte da demanda para junho”, escreveram os analistas do banco.
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No acumulado de 2026, a receita consolidada da Randoncorp soma R$ 5,25 bilhões, uma queda de 3,5% na comparação anual. Considerando apenas as operações da companhia sem a Frasle, o recuo é de 2,4%.
Os números também mostram um início de segundo trimestre ainda desafiador. Nos dois primeiros meses do 2T26, a receita consolidada da Randoncorp alcançou R$ 2,16 bilhões, retração de 4% em relação ao mesmo período do ano anterior.
Cenário difícil para caminhões e implementos
Para a XP, os resultados de maio confirmam que o ciclo de baixa do segmento de veículos pesados permanece em curso.
Segundo a corretora, os dados recentes da Fenabrave apontam queda de 8% nas vendas de caminhões e de 13% nos implementos rodoviários em maio na comparação anual, evidenciando uma demanda mais fraca por parte dos transportadores.
“Seguimos vendo um pano de fundo de demanda ainda fraco para veículos pesados, com os dados de maio reforçando o downcycle”, destacou a XP em relatório.
Os analistas acrescentam que os juros elevados continuam limitando a renovação das frotas e que a expectativa em torno do programa Move Brasil 2 pode ter levado parte dos clientes a postergar decisões de compra.
“Os recursos começaram a ser liberados apenas no início de junho e podem ter levado clientes a adiar temporariamente aquisições”, observou a corretora.
Esse cenário afeta principalmente os negócios da Randoncorp mais ligados às montadoras e fabricantes de caminhões, segmento que tradicionalmente apresenta maior sensibilidade às oscilações econômicas.
Frasle mostra maior resiliência, mas não escapa da pressão
A Frasle Mobility também apresentou números mais fracos em maio. A fabricante de autopeças registrou receita líquida de R$ 447 milhões, queda de 5,6% na comparação anual e de 2% em relação a abril.
No acumulado do ano, a receita atingiu R$ 2,15 bilhões, recuo de 5,6% frente ao mesmo período de 2025.
De acordo com o Safra, dois fatores pesaram sobre o desempenho da companhia: a valorização do real frente ao dólar e um ambiente mais fraco na Argentina.
“A performance pode ter sido impactada pela desvalorização do dólar, que acumula queda de aproximadamente 12% na comparação anual, além de um mercado mais fraco na Argentina”, destacou o banco.
Apesar disso, a instituição observa que parte desses efeitos foi compensada pela estabilidade do mercado doméstico de reposição e pela evolução operacional das marcas Nakata e 4Mobility.
A XP compartilha uma visão semelhante e avalia que a companhia continua demonstrando maior capacidade de resistência diante do cenário adverso.
“A Frasle mostra resiliência relativa, com o aftermarket doméstico permanecendo estável, apoiado por melhorias operacionais em andamento na Nakata e pelos avanços da 4Mobility”, afirmaram os analistas.
Um dado que chamou atenção foi o impacto cambial sobre os números. Segundo a XP, ao excluir os efeitos do câmbio e ajustar os resultados pelo número de dias úteis, a receita da Frasle teria crescido cerca de 5% em relação ao ano anterior.
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