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Porto Seguro ainda tem “gasolina no tanque” para lucrar forte em 2026

Porto Seguro ainda tem “gasolina no tanque” para lucrar forte em 2026

Após três anos fortes, a seguradora afirma que a diversificação do negócio reduziu a dependência do seguro auto e mantém o lucro em alta em 2026

A Porto Seguro (PSSA3) entrou no radar do mercado com a mensagem de que a sequência de anos fortes ainda pode continuar em 2026, apesar da percepção de parte dos investidores de que o ciclo poderia estar perdendo fôlego.

A avaliação está em um relatório do BTG Pactual (BPAC11), após reuniões no Rio de Janeiro com Domingos Falavina, diretor de Relações com Investidores (IRO) da companhia.

Segundo o banco, a leitura da gestão é que a dinâmica de lucros do grupo “melhorou estruturalmente” nos últimos anos, com uma diversificação maior para além do seguro auto, o que tende a deixar o resultado mais previsível e menos dependente de um único motor.

“A mensagem principal foi que a dinâmica de resultados da Porto melhorou estruturalmente nos últimos anos, à medida que o grupo se tornou mais diversificado além do seguro auto”, diz o BTG.

O relatório aponta que, mesmo com crescimento moderado em algumas frentes, a companhia vê espaço para sustentar um novo ano de forte rentabilidade, apoiada por juros ainda elevados, melhora do resultado financeiro e um perfil de subscrição mais estável. 

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O BTG estima que a Porto pode entregar em torno de R$ 3,7 bilhões de lucro líquido em 2026.

Seguro auto segue como base do grupo — mas com normalização no radar

O seguro auto continua sendo o principal negócio da Porto e deve seguir determinante para a performance do grupo. Para 2026, a administração indicou que a sinistralidade pode continuar se normalizando em torno de 60%, patamar que a companhia considera alinhado à média histórica.

Em paralelo, a empresa chamou atenção para o fato de que 2025 foi um ano beneficiado por uma frequência mais favorável, com menor impacto de enchentes, um fator que não necessariamente se repete em 2026. Ainda assim, o relatório do BTG aponta que há espaço para surpresa positiva caso o cenário ajude novamente.

“A Porto ressaltou que 2025 se beneficiou de uma frequência favorável, isto é, menores perdas com enchentes, o que não se transfere automaticamente para 2026”, afirma o BTG.

A companhia também avalia que o ciclo competitivo do seguro auto está mais “administrável”. Na leitura da gestão, parte relevante das perdas de participação já ficou para trás, e a pressão de preços pode ter chegado a um piso para concorrentes importantes.

“A avaliação da gestão é que as perdas de market share mais relevantes já ocorreram e que a pressão de preços provavelmente atingiu um piso para concorrentes-chave”, diz o BTG.

Um ponto que ajuda a explicar por que a concorrência pode pesar menos do que parece está no mix da carteira. O BTG destaca que cerca de 80% do seguro auto da Porto vem de renovações — uma base mais resiliente —, enquanto a disputa por preço se concentra nos 20% restantes.

“Cerca de 80% da carteira de auto da Porto é de renovação, enquanto a concorrência é mais intensa nos aproximadamente 20% de fluxos não-renovados”, afirma o BTG.

Para 2026, a “melhor estimativa” da administração aponta crescimento modesto de 2% a 3% nos prêmios ganhos no auto, com uma orientação mais formal esperada junto ao resultado do 4TRI25, em fevereiro.

Saúde cresce forte, mas Porto reforça foco em qualidade e controle de churn

A vertical de saúde ganhou relevância na tese de diversificação e resiliência de resultados. A gestão reconheceu que o crescimento deve seguir forte em 2026, mas com desaceleração em relação a 2025, um ano marcado por expansão relevante de prêmios e dinâmica de frequência mais favorável.

No relatório, o BTG aponta que a precificação atual sugere sinistralidade na faixa de 77% a 78%, com deterioração moderada ano a ano, à medida que a frequência normalize.

“Com a precificação atual, isso sugere uma sinistralidade em torno de 77% a 78%, com uma deterioração moderada na comparação anual à medida que a frequência normalize”, diz o BTG.

A gestão também teria reforçado cautela em buscar margens mais altas por meio de aumentos agressivos de preço, já que o controle de churn segue como variável central para preservar eficiência e reduzir custo de aquisição.

“A gestão foi cautelosa em perseguir margens materialmente maiores por meio de precificação agressiva, já que o controle de churn permanece crítico”, afirma o BTG.

Além disso, o relatório cita que a Porto vem ganhando tração em novas praças, como Rio de Janeiro e Brasília, com crescimento acima de São Paulo, ainda que sobre uma base menor. A projeção do BTG é de crescimento de cerca de 20% para a vertical em 2026.

Banco: menos exposição a cartão e migração para crédito com garantia

No braço financeiro, a Porto sinalizou postura mais conservadora à frente, com estratégia voltada a reduzir a exposição a risco de cartão, especialmente em comportamentos de rotativo e parcelamento.

“A gestão sinalizou uma postura mais conservadora daqui para frente, com uma estratégia deliberada para reduzir a exposição a comportamentos de rotativo e parcelamento”, diz o BTG.

Segundo o relatório, a companhia reforçou que a deterioração observada não seria sistêmica e estaria concentrada em uma pequena parcela da base, inferior a 1% dos clientes.

“A gestão ressaltou que a deterioração não é sistêmica e permanece concentrada em uma pequena cauda de clientes, com menos de 1% da base mostrando alavancagem muito alta”, afirma o BTG.

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Consórcio segue como motor — e serviços podem reacelerar em 2026

Entre as avenidas de crescimento, o consórcio segue como um dos destaques dentro do ecossistema da Porto, impulsionado por juros altos e pelo posicionamento como alternativa mais barata de funding em comparação ao financiamento tradicional.

“Consórcio continua sendo um destaque dentro do ecossistema da Porto, sustentado por juros altos e pelo posicionamento como uma alternativa de funding mais barata do que o financiamento tradicional”, diz o BTG.

A gestão não espera que a demanda seja afetada de forma relevante mesmo se a Selic cair de 15% para 12%, dada a função estrutural do produto, especialmente em segmentos de tíquete alto como imóveis e veículos.

Já na vertical de serviços, a administração reconheceu desempenho fraco em 2025, mas descreveu o período como transição após a saída de contratos grandes e deficitários e o ajuste do mix. A expectativa, agora, é de um pipeline mais saudável e retomada mais rentável em 2026.

“Serviços foram enquadrados como uma área com melhora de momentum… e a gestão vê um pipeline mais saudável para acelerar crescimento com mais rentabilidade”, afirma o BTG.

O que o mercado está precificando e por que o BTG mantém postura neutra

Apesar do discurso mais confiante, o BTG aponta que as ações da Porto vêm refletindo um tom mais cauteloso do mercado, diante da combinação entre expectativa de queda de juros no Brasil, normalização do seguro auto e desaceleração natural em saúde após um ano excepcional.

O banco destaca, porém, que esse movimento tornou a avaliação mais atrativa: a Porto negocia a cerca de 8,5 vezes o lucro projetado para 2026, e parte do cenário de normalização já estaria precificada.

“Porto agora negocia a apenas 8,5x P/L 2026E, níveis que já refletem uma boa parte da narrativa atual de normalização macro e operacional”, diz o BTG.

O BTG mantém recomendação neutra para Porto Seguro, com preço-alvo de R$ 52 para 12 meses, ante R$ 48,60 na data do relatório.