A Petrobras (PETR4) voltou a entrar no radar de parte dos gestores, mas ainda longe de um consenso “confortável”. De acordo com o relatório semanal do BTG Pactual (BPAC11) para o setor de Óleo & Gás no Brasil, investidores seguem ressabiados com o cenário financeiro da estatal para 2026 e 2027, mas alguns começam a considerar um aumento marginal de exposição, na esteira do rali recente do mercado brasileiro, puxado por fluxo estrangeiro.
O pano de fundo, segundo o banco, é um movimento de reposicionamento: fundos locais e dedicados à América Latina ainda estão underweight (subalocados) em Petrobras, o que abre espaço para uma recomposição defensiva caso a Bolsa mantenha o embalo e o petróleo continue sustentado por restrições de oferta e rearranjos no mercado global.
Gestores seguem cautelosos com Petrobras, mas o “underweight” pode começar a mudar
O ponto central captado pelo BTG nas conversas com investidores institucionais é que o debate sobre Petrobras voltou à mesa não porque a percepção de risco desapareceu, mas porque o mercado começou a andar.
“Os investidores estão pensando em sua exposição à PBR.”, resume o relatório, ao indicar que há uma discussão em curso sobre a exposição ao papel.
A leitura predominante entre os gestores, segundo o banco, é que o horizonte de 2026-27 segue apertado e pouco animador do ponto de vista financeiro.
Ainda assim, o BTG afirma que parte dos investidores poderia estar disposta a aumentar marginalmente a exposição, o que, na prática, significa reduzir um underweight e voltar a carregar um pouco mais do papel na carteira.
O movimento, no entanto, não parece consolidado. O relatório destaca que decisões ainda não foram tomadas, mas que, como muitos fundos locais e LatAm seguem subalocados em Petrobras, não seria surpreendente ver um ajuste com perfil mais defensivo — isto é, uma recomposição mais ligada a fluxo e posicionamento do que a uma mudança estrutural de tese.
O cenário financeiro de 2026-27 continua apertado (e isso limita o apetite)
Apesar do interesse crescente, o BTG aponta que a restrição segue sendo o mesmo “freio” que já vinha pesando sobre Petrobras: a leitura de que a empresa atravessa um período de menor folga financeira à frente.
O relatório estima que o cenário para 2026 permanece desafiador, com aproximadamente 7,2% de yield de FCFE (fluxo de caixa livre ao acionista) e cerca de 8,5% de dividend yield no ano.
Em outras palavras, a estatal segue entregando retorno ao acionista, mas em um patamar que, na avaliação do banco, não elimina o desconforto do mercado com o horizonte de 2026 e 2027. Isso ajuda a explicar por que o papel pode voltar a ganhar espaço em carteiras sem necessariamente virar uma “aposta de convicção”.
O ponto é que o “aperto” não significa um colapso — mas reduz a margem para uma reprecificação mais agressiva se o investidor não enxergar um gatilho claro que destrave melhora de fundamentos.
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