Quase nove em cada dez profissionais ouvidos pela Pesquisa de Sentimento Safra Invest projetam o Ibovespa acima de 160 mil pontos no fim de 2026. A faixa entre 160 mil e 180 mil concentra 58,6% das respostas, e outros 30,6% apostam no intervalo seguinte, entre 180 mil e 200 mil pontos. O levantamento ouviu 111 respondentes entre 13 e 27 de agosto.
Na política monetária, o consenso é ainda mais estreito. Uma proporção de 87,4% espera a Selic entre 13% e 14% no fim do ano, e apenas 3,6% projetam algo abaixo de 13%, o que significa que quase ninguém trabalha com um ciclo de corte relevante.
O cliente puxa o freio
A leitura otimista sobre o índice convive com um investidor final recuado. Somando quem descreve clientes conservadores e quem os vê mais conservadores do que há seis meses, chega-se a 77% das respostas.
“Só 6% estão mais dispostos a risco”, registra a pesquisa.
O posicionamento das carteiras acompanha esse humor: 52,3% se descrevem neutros em risco e 36,9%, defensivos, enquanto apenas 10,8% se dizem agressivos. No fluxo de captação, 55% veem estabilidade, mas os resgates superam as entradas por mais de dois para um, com 30,6% contra 14,4%.
Onde está a oportunidade
Tecnologia global lidera como a maior oportunidade do semestre, com 35,1% das respostas. Renda fixa aparece logo atrás: somando títulos atrelados ao IPCA e prefixados, 35,1% preferem essa classe. As ações brasileiras ficam com 13,5%.
“A alocação é contida: 47% mantêm até 10% em renda variável e apenas 22% passam de 25%”, aponta o levantamento.
Entre os setores da bolsa local, serviços financeiros lidera com 32,4%, seguido por telecomunicações e tecnologia, com 23,4%, e utilidades básicas, com 18,0%. Consumo e varejo, educação e construção somam juntos menos de 9%.
Há, porém, um sinal que contraria a cautela. Diante da queda recente da bolsa brasileira, 58,6% pretendem manter a exposição dos clientes e 28,8% pretendem aumentar. Apenas 12,6% falam em reduzir.
Os riscos e a corrida de inteligência artificial
Situação fiscal e eleições empatam no topo das preocupações, com 37,8% cada. Juntas, as duas respondem por 75,6% das respostas, o que concentra o risco percebido dentro do país.
Geopolítica aparece com 9,0% e recessão global, com 8,1%. Sobre o pleito de outubro, 54,1% esperam impacto negativo na bolsa, contra 20,7% que projetam efeito positivo.
“Infraestrutura, com energia elétrica e datacenters, é a aposta de 53%, bem à frente de big techs e semicondutores”, diz a pesquisa sobre o vencedor da corrida de inteligência artificial.
Cada uma das duas categorias seguintes ficou com 19,8%, enquanto software somou 4,5%.






