A Marcopolo (POMO4) entrou na lista de preferências do Santander em transportes e bens de capital por um motivo específico: o preço. A ação acumula queda de 33% nos últimos seis meses, contra recuo de 5,5% do Ibovespa no mesmo intervalo.
As outras indicadas são: Localiza (RENT3), Embraer(EMBJ3) e Motiva (MOTV3).
O que sustenta a tese não é a expectativa de uma recuperação rápida da demanda, e sim o descompasso entre a queda do papel e a revisão dos números. O tombo da ação superou de forma significativa os cortes nas estimativas de resultado.
“O sentimento negativo criou uma oportunidade de deep value”, apontam Lucas Barbosa, Gabriel Tinem e Victor Tani, analistas do Santander. O termo descreve ações que negociam bem abaixo do valor que os fundamentos justificariam, geralmente após uma queda desproporcional.
Os múltiplos que sustentam a tese
Para 2027, o papel negocia a 4,7 vezes o lucro projetado, com dividend yield de 10% e rendimento de fluxo de caixa de 11%. As projeções do banco apontam esse último indicador subindo para a faixa média dos 10% nos anos seguintes.
O que dá conforto a esses múltiplos é a estrutura da companhia. A fabricante de carrocerias opera com alavancagem baixa, geração de caixa positiva e retorno sobre o capital investido entre 14% e 15%.
A revisão que mudou a lista
“Consideramos essas métricas atrativas para uma empresa com baixa alavancagem, geração de caixa positiva e ROIC na faixa de 14% a 15%”, observam Barbosa, Tinem e Tani.
A escolha veio de uma revisão mais ampla. O banco atualizou os modelos de todas as empresas sob cobertura e refez a lista de preferidas depois de meses marcados por conflitos geopolíticos, pelo avanço da inteligência artificial afetando os fluxos globais, por juros internacionais mais altos, pelo cenário político volátil e pela dispersão de desempenho entre as ações do setor.






