O Bank of America mantém a Yduqs (YDUQ3) à frente da Cogna (COGN3) entre as educacionais brasileiras. O argumento central é de base de comparação: a saída gradual do programa DIS reduz o peso negativo sobre a receita da companhia nos próximos trimestres.
A visão sobre a concorrente segue no sentido oposto. A captação do segundo semestre enfrenta base de comparação difícil, e a margem sofre pressão da exposição maior ao ensino presencial, num contexto de ocupação ainda baixa.
“Reiteramos nossa preferência por Yduqs, Vitru e Ser, dado o alto retorno de fluxo de caixa livre para o acionista e as melhoras operacionais, apesar das mudanças regulatórias”, apontam Flavio Yoshida, Mirela Oliveira e Eyzo Kuroki, analistas do Bank of America.
Vitru (VTRU3) e Ser (SEER3) seguem como as escolhas principais, apoiadas na melhora dos indicadores de inadimplência e na maturação das vagas de medicina da Ser.
Recomendações do Bank of America

Captação de inverno começou devagar
O banco projeta um ciclo difícil no 3º trimestre de 2026, com o setor ainda se adaptando ao novo marco regulatório. O ensino a distância deve permanecer como o segmento mais pressionado, tanto pela base de comparação do ano anterior quanto pelo início lento da temporada.
“A maior parte das companhias mencionou que o impacto da Copa do Mundo se normalizou depois do fim do evento”, observam Yoshida, Oliveira e Kuroki. Os programas híbridos continuam como o principal ponto positivo, favorecidos por regras que beneficiam essa modalidade, enquanto o presencial deve ficar estável.
Mensalidades e margens em direções diferentes
O comportamento das mensalidades varia por segmento. No presencial, os reajustes devem ficar abaixo da inflação. Nos híbridos, o desempenho segue bom por efeito de mix, e o ensino a distância tende a permanecer mais volátil em meio aos ajustes regulatórios.
A implementação plena do novo marco deve abrir espaço para ações de preço mais assertivas. Nos híbridos, especificamente, o banco vê margem para novos aumentos, já que exigências operacionais adicionais tendem a elevar os custos e sustentar mensalidades maiores ao longo do tempo.
“Reconhecemos a mudança estrutural do setor rumo a uma base de alunos mais rentável, mas 2027 deve enfrentar impactos da pressão de custos regulatórios”, dizem Flavio Yoshida, Mirela Oliveira e Eyzo Kuroki, analistas do Bank of America.
Mesmo nesse quadro, Ser e Vitru devem entregar expansão de margem no curto prazo. A Cogna, por sua vez, deve reportar impacto nas margens no segundo semestre, pela fatia maior de alunos presenciais.
O risco vem do bolso das famílias
A geração de caixa segue sólida, sustentada pelo ciclo longo do setor e pela melhora estrutural dos recebíveis. O problema aparece no horizonte de 2027 e 2028, se a dinâmica de capital de giro piorar.
“O endividamento das famílias atingiu máximas históricas e a inadimplência do consumidor vem subindo com força nos últimos trimestres”, projetam Yoshida, Oliveira e Kuroki.
Os ventos macroeconômicos que ajudaram o setor desde 2023 também perdem força, com a expectativa de desemprego um pouco maior em 2027 e sinais de desaceleração no crescimento da renda real. O banco ressalva que nenhuma deterioração relevante apareceu nos números até agora.






