O banco Safra elevou o preço-alvo das ações da Orizon (ORVR3) de R$ 70,00 para R$ 98,00 por papel, um ajuste de 40%, e manteve a recomendação de compra para os papéis da companhia, mostra um relatório enviado a clientes nesta segunda-feira (11). O novo patamar implica um potencial de valorização de aproximadamente 19% em relação às cotações atuais e reflete uma revisão abrangente das estimativas após a fusão com a Vital.
A Orizon atua no setor de gestão e destinação de resíduos sólidos urbanos — um segmento considerado essencial e com elevadas barreiras de entrada no Brasil, onde a empresa opera aterros sanitários, plantas de biogás e projetos de biometano.
A companhia transforma o lixo descartado pelos municípios em produtos de valor, como energia renovável, posicionando-se na interseção entre saneamento básico e transição energética.
Segundo a analista Maria Carolina Carneiro, responsável pelo relatório, a tese de investimento combina solidez operacional com perspectivas robustas de crescimento.
“O modelo de negócios resiliente da Orizon está ancorado em receitas de longo prazo, em um mercado com elevadas barreiras de entrada e crescimento estável”, destaca Carneiro. A fusão com a Vital amplia esse horizonte: “Novas alternativas de crescimento inorgânico, especialmente após a fusão, incluem contratos integrados de gestão de resíduos”, acrescenta a analista.

Finanças
Do ponto de vista financeiro, o Safra projeta que a companhia combinada encerre 2026 com alavancagem confortável.
“Estimamos que a companhia atinja uma dívida líquida/EBITDA de 0,7x no final de 2026, permitindo não apenas o desenvolvimento do pipeline atual, como também a busca por novas adições”, escreve Carneiro.
O Ebitda estimado para a Vital isoladamente soma R$ 734 milhões em 2026, enquanto as projeções consolidadas para a Orizon foram revisadas para cima em 84% para o período de 2026 a 2028.
Valuation
O valuation também chama atenção. A ação negocia a um EV/EBITDA 2026 pro forma de 10,0x, abaixo das cerca de 12 vezes observadas em pares internacionais — incluindo a própria Vital antes da transação.
“Vemos ORVR3 negociando a uma TIR real atrativa de ~12%, com um CAGR de EBITDA de 30% em três anos, impulsionado pela entrada em operação de novos projetos”, aponta a analista do Safra.
O crescimento deve vir também de vetores regulatórios e de política pública.
“Com a aprovação do PL do Combustível do Futuro, a demanda por biometano tende a seguir em expansão, criando oportunidades adicionais para novos projetos”, avalia Carneiro.
O programa Integra Resíduos, lançado pelo Estado de São Paulo para ampliar a cobertura de coleta e destinação adequada nos municípios, é visto como mais um catalisador de médio prazo para a companhia.
Entre os riscos apontados estão questões regulatórias, mudanças legislativas e eventuais atrasos na execução de projetos em construção.






