Analistas do BTG Pactual veem riscos de alta nas projeções para o minério de ferro em 2026 e 2027, com inflação de custos de frete e diesel sustentando preços acima de US$ 100 por tonelada e favorecendo as ações da mineradora brasileira
O minério de ferro segue surpreendendo o mercado. Com cotações sustentadas firmemente acima de US$ 100 por tonelada e negociações recentes ultrapassando os US$ 110/t, o insumo básico da indústria siderúrgica global tem desafiado as expectativas mais pessimistas — e o BTG Pactual reafirma a aposta nas ações da Vale (VALE3) como uma das principais beneficiárias desse cenário.
Em relatório assinado pelos analistas Leonardo Correa, Marcelo Arazi e Rodrigo Gotardo, o banco reitera a recomendação de compra para os papéis da mineradora brasileira. Segundo o documento, o principal motor da resiliência dos preços não é um aquecimento excepcional da demanda, mas sim a inflação de custos que vem pressionando o piso das cotações.
“A inflação de custos está efetivamente estabelecendo um piso mais alto para os preços”, escrevem os analistas. Na conta do BTG, o frete a partir do Brasil subiu entre US$ 8 e US$ 10 por tonelada, enquanto a pressão do diesel acrescenta mais US$ 2 a US$ 3/t às operações de mineração e logística.
“No total, calculamos que isso pode adicionar entre US$ 9 e US$ 12/t de inflação de custos embutida no sistema, deslocando materialmente a curva de custo marginal para cima”, avaliam Correa, Arazi e Gotardo.
Imagem gerada pela IA Nano Banana Pro.
Demanda
Do lado da demanda, a China segue sendo o fator determinante — e o cenário é melhor do que se temia.
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“A utilização dos altos-fornos está próxima de 90%, com a produção de metal quente se recuperando para cerca de 2,39 Mt/dia em abril, indicando que as usinas ainda operam em taxas relativamente elevadas”, destacam os analistas.
As importações chinesas de minério atingiram aproximadamente 104,7 Mt em março, com volumes acumulados no ano em trajetória de crescimento sólido.
Riscos
Dois riscos que preocupavam o mercado são minimizados no relatório. Sobre o projeto Simandou, na Guiné, o BTG é direto: “Os volumes em 2026 são simplesmente pequenos demais para influenciar a formação de preços de forma significativa.”
A projeção é de apenas 15 Mt exportados ao longo do ano — irrelevante diante de um mercado marítimo global superior a 1,5 bilhão de toneladas.
Já sobre o acordo da BHP com a CMRG, que gerou apreensão quanto a possíveis pressões nos preços, os analistas são igualmente céticos:
“A China está extraindo pequenas concessões de preços, não perturbando volumes”, afirmam, ressaltando que os fundamentos de oferta e demanda seguem no comando.
Com esse pano de fundo, o BTG vê riscos de alta para suas projeções de US$ 102/t para 2026 e US$ 95/t para 2027.
“Reiteramos nossa recomendação de compra para a Vale, que consideramos um dos principais beneficiários globais da dinâmica atual de preços”, concluem Correa, Arazi e Gotardo.