A Copasa (CSMG3) entregou um primeiro trimestre de 2026 abaixo das expectativas operacionais — mas o mercado provavelmente vai ignorar os números. A privatização é o que importa.
Essa é a leitura dos analistas Raul Cavendish e Bruno Vidal, da XP Investimentos, que mantiveram a recomendação de outperform (compra) e o preço-alvo de R$ 53,60 para as ações.
“Não esperamos reação relevante do mercado, já que, neste momento, o único ponto que realmente importa é a conclusão do processo de privatização”, afirmam os analistas.
Ebitda abaixo, lucro acima
O Ebitda ajustado — excluindo receitas não faturadas de R$ 40 milhões que variam trimestre a trimestre — somou R$ 750 milhões no período, 9% abaixo da estimativa da XP.
Os principais fatores do desvio foram a inadimplência acima do esperado, volumes menores por temperaturas mais amenas e o atraso na implementação do novo reajuste tarifário, que reduziu os dias de calendário na comparação anual.
“A inadimplência ficou 33% acima das nossas estimativas, de R$ 73 milhões frente aos R$ 55 milhões projetados, com a companhia atribuindo o resultado ao cenário macro desafiador”, detalham Cavendish e Vidal — ressaltando que os números de março já apontam para alguma normalização.
Entretanto, abaixo do Ebitda, o resultado surpreendeu. Despesas financeiras líquidas menores e alíquota efetiva de imposto mais baixa levaram o lucro líquido a superar a estimativa da XP em 30%.
Privatização na reta final
O prazo para apresentação de propostas pela participação de 30% na Copasa — fatia que definirá o parceiro estratégico da nova companhia — encerrou-se em 8 de maio.
Para os analistas, navegar a tese agora é entender o que vem pela frente.
“As opcionalidades vão ficando mais claras ao longo do tempo, o que acreditamos que continuará empurrando a Copasa para novas máximas”, projetam Cavendish e Vidal.
Entre as opcionalidades ainda não precificadas estão a expansão para novos municípios e o aumento de capex para ampliar os serviços de esgoto nas cidades já atendidas. A companhia negocia a uma TIR real de 9,6% — patamar que os analistas consideram razoável mesmo em um cenário base de privatização.
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