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Oncoclínicas tem balanço muito fraco no 1º trimestre de 2026

Oncoclínicas tem balanço muito fraco no 1º trimestre de 2026

Ebitda ajustado foi negativo em R$ 49 milhões ante estimativa positiva de R$ 196 milhões do BTG Pactual

A Oncoclínicas (ONCO3) divulgaram resultados muito fracos no primeiro trimestre de 2026, com a crise de liquidez da companhia transbordando para a operação e comprometendo métricas que até então se mantinham em território positivo.

A receita líquida caiu 22% na comparação anual, para R$ 1,16 bilhão, enquanto o prejuízo líquido saltou de R$ 132 milhões no 1T25 para R$ 439 milhões.

A análise é dos analistas Samuel Alves e Maria Resende, do BTG Pactual, que classificam a companhia como um “caso de investimento desafiador, dado seu alto endividamento, geração de caixa pressionada e riscos de execução contínuos na estabilização das operações.”

Ruptura de medicamentos expõe pressão de caixa

O episódio mais simbólico do trimestre foi a escassez de medicamentos registrada em março, que impactou negativamente em cerca de R$ 40 milhões a receita bruta da companhia. Para os analistas, o evento não foi acidente operacional isolado — foi consequência direta da deterioração financeira.

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“A pressão de liquidez está afetando diretamente as operações, com a falta de medicamentos em março refletindo menor disponibilidade de caixa e rupturas no fluxo normal de compras junto a fornecedores”, avaliam Alves e Resende.

Além da ruptura de suprimentos, a receita foi afetada pela descontinuação de serviços a determinados planos de saúde e pelo aumento das provisões para devedores duvidosos.

O resultado foi ainda distorcido por dois ajustes contábeis de grande magnitude: um aumento de R$ 119 milhões no PDA — reflexo do alinhamento da nova gestão à política contábil da empresa — e uma provisão de R$ 148 milhões relacionada ao risco de crédito da Unimed Leste Fluminense.

EBITDA negativo e alavancagem em 5,2x

O EBITDA ajustado ficou negativo em R$ 49 milhões no trimestre, contra estimativa positiva de R$ 196 milhões do BTG e R$ 154 milhões reportado no 1T25. Excluindo os dois efeitos não recorrentes, a própria companhia estima que o indicador teria chegado a R$ 110 milhões, com margem de 9,2%.

A dívida líquida, incluindo obrigações de M&A, permaneceu elevada em R$ 3,27 bilhões, com a alavancagem saltando de 3,5x no 4T25 para 5,2x no 1T26.

“O fluxo de caixa operacional foi negativo em R$ 153 milhões, principalmente refletindo a antecipação de recebíveis de R$ 330 milhões realizada no quarto trimestre de 2025”, destacam os analistas.

Reestruturação em curso

A companhia tem adotado medidas para endereçar sua estrutura de passivos — entre elas um aumento de capital de R$ 1,4 bilhão no fim de 2025, negociações com credores e, mais recentemente, uma liminar judicial criando um período de standstill para as discussões de reestruturação.

Ainda assim, Alves e Resende mantêm cautela: “Embora a gestão esteja buscando alternativas para endereçar a situação financeira da companhia, a visibilidade permanece limitada tanto sobre o ritmo do turnaround quanto sobre o desfecho final dessas iniciativas.” A ênfase de going concern dos auditores reforça o cenário ainda frágil.