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El Niño pode ajudar a Rumo; entenda

El Niño pode ajudar a Rumo; entenda

Redirecionamento de fluxos ao arco sul deve pressionar capacidade em rotas alternativas e beneficiar a ferrovia da Rumo

A probabilidade crescente de um El Niño moderado a muito forte no segundo semestre de 2026 aumenta o risco operacional das hidrovias do Norte brasileiro e coloca a Rumo (RAIL3) em posição privilegiada para capturar volumes e receita adicionais no quarto trimestre.

A avaliação é de analistas que acompanham o setor de infraestrutura, após o Climate Prediction Center (CPC) elevar a probabilidade do evento de 77% para 89% para o período de outubro a dezembro — janela de maior vulnerabilidade hídrica no país.

El Niño “muito forte” ganha força nas projeções

A revisão do CPC não apenas aumentou a probabilidade geral do El Niño, mas também intensificou a estimativa de severidade. A chance de um evento classificado como “muito forte” subiu 10 pontos percentuais, atingindo 33% para o quarto trimestre de 2026.

Para os analistas Luiz Peçanha e Arthur Godoy, o dado muda o patamar de risco. “O que nos chama atenção não é só a maior probabilidade do evento, mas a revisão expressiva para o cenário de intensidade mais severa, que historicamente provoca as maiores restrições de navegabilidade”, afirmam.

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Os indicadores hidrológicos já dão sinais de alerta. O Rio Tapajós em Santarém registra lâmina d’água de 6,69 metros, 5,5% abaixo da média histórica para o período. Em Itaituba, a leitura é de 7,53 metros, e o Rio Amazonas marca 7,27 metros — 7% inferior à referência histórica.

Hidrovias do Norte

Eventos de El Niño forte ou muito forte historicamente reduzem a profundidade dos rios do Norte em mais de 17% e 30%, respectivamente.

Peçanha e Godoy destacam que “a combinação de níveis já abaixo da média em maio com a elevação das probabilidades climáticas cria um ambiente de risco material para a navegabilidade no corredor Norte ainda no segundo semestre”.

A avaliação sustenta a manutenção da recomendação Neutra para a Hidrovias do Brasil, com preço-alvo de R$ 4,50.

Rumo: o outro lado da moeda climática

Se o cenário é adverso para as hidrovias, a Rumo emerge como principal beneficiária do possível redirecionamento de fluxos de grãos ao arco Sul, sobretudo ao Porto de Santos.

“Historicamente, restrições no corredor Norte resultam em aumento de demanda nas ferrovias do Sul, gerando crescimento de volume e poder de precificação para a Rumo”, apontam os analistas.

Eles concluem que “o atual panorama climático é fortemente favorável à companhia e deve se traduzir em um tailwind relevante de performance no final do ano”.