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MBRF supera estimativas, mas queima de caixa é elevada

MBRF supera estimativas, mas queima de caixa é elevada

Queda nas despesas financeiras e impacto positivo do câmbio na dívida ajudaram o resultado abaixo da linha do Ebitda

A MBRF (MBRF3) – holding que reúne BRF e Marfrig – divulgou resultados do primeiro trimestre de 2026 acima das expectativas do mercado na linha operacional, com EBITDA reportado de R$ 3,1 bilhões, 7% superior à estimativa do BTG Pactual.

O lucro líquido chegou a R$ 111 milhões, superando tanto a projeção dos analistas quanto o desempenho do trimestre anterior.

Para Thiago Duarte e Guilherme Guttilla, do BTG, foi “mais um trimestre em que as margens vieram no lado positivo, tanto na BRF quanto na carne bovina da América do Sul“, com destaque para a forte contenção de despesas com pessoal em ambas as divisões.

BRF: exportações compensam fraqueza no mercado doméstico

Após uma sequência de quatro trimestres de queda consecutiva de margens ao longo de 2025, a BRF ensaiou uma recuperação no 1T26. A margem EBITDA avançou 120 pontos-base em relação ao 4T25, sustentada integralmente pelo desempenho das exportações.

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O EBIT do segmento externo atingiu 12,2%, o maior patamar em três trimestres, mesmo com preços realizados 1,5% menores na comparação sequencial. O segmento Halal registrou margem EBITDA de 15%, beneficiado também pela retomada das exportações para China e Europa.

O lado negativo ficou com o Brasil.

“No mercado doméstico, a margem EBIT foi de apenas 6,8%, a mais baixa em dez trimestres, o que acreditamos refletir spreads mais baixos nos segmentos de FPP à base de suínos, bem como em margarina”, avaliam Duarte e Guttilla.

As receitas de FPP caíram 4% na comparação anual, enquanto o total de receitas no Brasil recuou apenas 1%.

Marfrig forte na América do Sul

A operação sul-americana da Marfrig continuou performando bem, com volumes crescendo 9% em relação ao mesmo período de 2025, impulsionados por adições de capacidade e pelo mercado exportador aquecido — com alta de 28% em volumes exportados. A margem EBITDA ficou em torno de 10%, ligeiramente abaixo do trimestre anterior, mas ainda em patamar sólido.

Já nos Estados Unidos, a operação registrou margem EBITDA ajustada de apenas 0,3% — a mais alta do setor, segundo os analistas, mas que “sublinha a continuidade de um ambiente operacional difícil que acreditamos que persistirá por mais alguns anos”, na avaliação de Duarte e Guttilla.

Dívida de R$ 50 bilhões e queima de caixa

O lado mais fraco do trimestre foi o fluxo de caixa. A companhia registrou queima de R$ 1,5 bilhão, concentrada integralmente nas operações de carne bovina — enquanto a BRF surpreendeu com geração positiva de R$ 566 milhões.

A dívida líquida IFRS16, incluindo arrendamentos e FIDC, encerrou o trimestre em R$ 50,3 bilhões, equivalente a 3,9 vezes o EBITDA dos últimos doze meses.

“O lado negativo dos resultados veio da geração de caixa, sazonalmente mais fraca no primeiro trimestre, com queima concentrada nos negócios de carne bovina”, resumem os analistas.

O BTG mantém recomendação Neutra para MBRF.

“Nossa posição Neutra se baseia na combinação de uma dívida elevada e na expectativa de que as margens operacionais de 2026 serão menores do que em 2025, resultando em um momentum operacional menos inspirador e múltiplos relativamente exigentes com base no lucro líquido”, concluem Duarte e Guttilla.