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Oncoclínicas: OPA não deve impactar risco de crédito

Oncoclínicas: OPA não deve impactar risco de crédito

O colegiado da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) decidiu, por unanimidade, que é obrigatória a realização de uma OPA

Uma oferta pública de aquisição (OPA) da Oncoclínicas (ONCO3) não deve impactar o risco de crédito da companhia, que tem uma potencial recuperação extrajudicial no horizonte. Isso porque juros e amortizações seguem suspensos desde abril e a estrutura de capital é a mesma de antes do julgamento.

“O desfecho depende da adesão dos credores até outubro e da entrada, ou não, de dinheiro novo via subscrição”, diz trecho do relatório do banco Safra.

Segundo o relatório, o que colocaria dinheiro em caixa da Oncoclínicas seria uma subscrição das ações. Na OPA, um acionista compra ações que já existem, de outros acionistas: o dinheiro circula entre eles e o caixa da companhia não se move.

“No aumento de capital, a companhia emite ações novas e quem subscreve paga à própria companhia, e aí entra dinheiro no caixa da companhia”, avalia outro trecho do documento sobre Oncoclínicas.

CVM determina OPA da Oncoclínicas

O colegiado da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) decidiu, por unanimidade, que é obrigatória a realização de uma OPA prevista no artigo 39 do estatuto da Oncoclínicas. A decisão, tomada em 25 de agosto de 2026, reverteu o entendimento anterior da área técnica da autarquia.

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O gatilho para a oferta foi uma reorganização societária realizada em novembro de 2024, quando o fundo Josephina III, ligado à Centaurus e ao Goldman Sachs, ultrapassou a participação de 15% do capital da companhia.

Para os investidores de crédito da Oncoclínicas, porém, o principal ponto é que a operação não representa uma injeção de recursos na companhia. O dinheiro da OPA sairá da Centaurus e será destinado aos acionistas minoritários que decidirem vender suas ações. A Oncoclínicas não será parte da operação, não receberá recursos e não terá sua dívida reduzida.

A oferta ainda não está definida. Conforme a decisão da CVM, o preço a ser pago pela Centaurus deverá ser calculado de acordo com as regras previstas no estatuto da Oncoclínicas, tomando como referência novembro de 2024, quando a obrigação foi gerada, e corrigido pela taxa Selic até a data do pagamento.

A OPA deverá ser realizada em até 60 dias. Todos os acionistas da companhia poderão participar, desde que estejam habilitados até a véspera do leilão. O cronograma e as condições da oferta, no entanto, poderão ser alterados ou suspensos caso sejam apresentados recursos na esfera judicial.

OPA não melhora a situação financeira da companhia

A obrigação de realizar a oferta é do acionista adquirente, e não da Oncoclínicas. Dessa forma, a decisão da CVM não representa uma fonte adicional de liquidez para a companhia nem altera diretamente sua estrutura de endividamento.

A situação financeira da empresa reforça a importância dessa distinção. No segundo trimestre de 2026, a Oncoclínicas encerrou o período com R$ 112 milhões em caixa e R$ 3,39 bilhões em dívida financeira, integralmente classificada no curto prazo.

No trimestre, o Ebitda contábil foi negativo em R$ 245,6 milhões. Em 12 meses, o indicador acumulou resultado negativo de R$ 2,4 bilhões. A companhia também registrou prejuízo de R$ 475,7 milhões.

Assim, embora a OPA possa provocar uma mudança relevante na estrutura acionária, os recursos envolvidos na oferta não serão direcionados ao fortalecimento do caixa ou à redução do endividamento da Oncoclínicas.

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