A dívida líquida da Simpar (SIMH3) caiu para 2,8 vezes o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) no 2º trimestre de 2026. Um ano antes, a relação estava em 3,6 vezes.
A leitura é da equipe de crédito do BB Investimentos, que atualizou nesta quarta-feira (30) a análise sobre a holding. O grupo controla JSL (JSLG3), Movida (MOVI3), Vamos (VAMO3) e Automob (AMOB3), entre outras empresas.
“A Simpar entregou no 2º trimestre de 2026 sua maior redução de alavancagem, combinando crescimento do Ebitda de serviços, reforço de caixa e materialização de valor de ativos não listados”, avaliam os analistas Viviane Silva, Melina Constantino, Fernando Cunha Filho e Luan Calimério, do BB Investimentos.
Os números do balanço, no entanto, mostram uma empresa ainda pressionada pelo custo da dívida.
Serviços sustentam o crescimento
A receita líquida consolidada somou R$ 11,2 bilhões, alta de 8,8% na comparação anual. O avanço veio dos serviços, que cresceram 14,4% e chegaram a R$ 9,5 bilhões. A receita com venda de ativos, por outro lado, recuou 17,6%.
O Ebitda ajustado subiu 15,7%, para R$ 3,4 bilhões. A margem ficou em 30,1%, dois pontos percentuais acima do registrado um ano antes.
A última linha contou outra história. As despesas financeiras avançaram 18%, para R$ 2,3 bilhões, puxadas pela marcação a mercado de derivativos, de R$ 231,8 milhões e sem efeito no caixa. O resultado reportado foi um prejuízo de R$ 151,1 milhões.
No critério ajustado, contudo, a Simpar lucrou R$ 28 milhões, contra prejuízo de R$ 36 milhões no 2º trimestre de 2025.
Movida dobra lucro e Vamos mantém frota ocupada
A Movida teve o melhor desempenho entre as controladas. O Ebitda atingiu o recorde de R$ 1,7 bilhão, alta de 22,3%. O lucro líquido cresceu 100,7%, para R$ 135,6 milhões.
Na Vamos, o lucro líquido subiu 21,8%, para R$ 101,1 milhões, com 89% da frota ocupada.
A JSL deixou sinais mistos. A empresa de logística gerou bastante caixa e reduziu a alavancagem, mas operou com margens mais apertadas e deve enfrentar concorrência mais dura nos próximos trimestres.
A Automob, que vende veículos, caminhões e máquinas novos e seminovos, segue em maturação. O prejuízo líquido ajustado subiu para R$ 88 milhões, ante R$ 37 milhões um ano antes, embora a operação tenha melhorado.
Venda de ativos reforça o caixa
Nos últimos 12 meses, a estrutura de capital da Simpar ganhou R$ 6,9 bilhões. Os aumentos de capital privados responderam por R$ 3 bilhões. O restante veio da venda de participações em negócios fora da bolsa.
Entraram nessa conta a Ciclus Rio, a Ciclus Amazônia e a CS Porto Aratu. A venda do terminal baiano foi anunciada em julho, com valor da firma (enterprise value) de R$ 1,8 bilhão.
“A iniciativa amplia a flexibilidade financeira e as condições para reduzir a dívida na holding, movimento que constitui o principal vetor de melhora do perfil de crédito”, escrevem Viviane Silva, Melina Constantino, Fernando Cunha Filho e Luan Calimério.
Covenants cumpridos com folga
A dívida bruta consolidada terminou junho em R$ 55,3 bilhões, queda de 2% em 12 meses. A líquida ficou em R$ 41,3 bilhões. Sem a BBC Digital, braço financeiro do grupo, o valor cai para R$ 38,9 bilhões, recuo de 7,9%.
O custo médio da dívida está em 16,4% ao ano, com prazo médio de 3,3 anos. Todos os covenants, cláusulas que limitam o endividamento nos contratos, foram cumpridos.
No bond, título emitido no exterior, a dívida líquida equivale a 2,8 vezes o Ebitda, com teto de 4 vezes. Nas dívidas locais, a relação com o Ebitda-A, que soma o custo dos ativos vendidos, ficou em 2 vezes, para limite de 3,5 vezes.
A cobertura de juros marcou 2,9 vezes, acima do piso de 2 vezes. A liquidez soma R$ 15,3 bilhões, sendo R$ 14,1 bilhões em caixa e R$ 1,2 bilhão em linhas não sacadas.
O caixa cobre mais de duas vezes os R$ 6,7 bilhões que vencem entre julho de 2026 e junho de 2027. O pico de vencimentos está em 2028, com R$ 11,1 bilhões.
Endividamento ainda preocupa
As três agências de classificação de risco reafirmaram as notas da Simpar com perspectiva estável. A Fitch manteve AA(bra) em junho, a S&P confirmou brAA+ em agosto e a Moody’s Local, AA+.br em setembro.
“Entendemos que o nível de endividamento e o ritmo de desalavancagem, tanto no consolidado quanto na holding, seguem como os principais pontos de atenção e devem predominar na avaliação da companhia nos próximos trimestres”, apontam os analistas do BB Investimentos.
A conta dos juros explica a cautela. Nos 12 meses até junho, o Ebitda cobriu 1,2 vez a despesa financeira, abaixo de 1,4 vez em 2024.
Descontados os investimentos, a cobertura subiu de 0,2 vez em 2023 para 0,8 vez. Portanto, depois de investir, a operação ainda não gera sozinha o suficiente para pagar a conta financeira.






