O BTG Pactual reiterou sua recomendação de compra para as ações do Nubank (NU; ROXO34) com preço-alvo de US$ 21, o que implica potencial de valorização de aproximadamente 67% em relação ao patamar atual. Os papeis têm queda de quase 30% em 2026.
A avaliação foi mantida em relatório assinado pelos analistas Eduardo Rosman, Ricardo Buchpiguel e Antonio Pascale após reunião com a equipe de relações com investidores da fintech, realizada na sexta-feira seguinte à divulgação dos resultados do primeiro trimestre.
O encontro reforçou a visão do banco de que o mercado está punindo excessivamente o papel por preocupações de curto prazo que não refletem os fundamentos de longo prazo do negócio.
Provisões sob contexto, não alarme
O ponto central do debate com o time de RI foi a alta nas provisões registrada no 1T26. Os analistas do BTG explicam que o aumento deve ser lido dentro de um contexto mais amplo.
“O recente aumento nas provisões deve ser interpretado dentro do contexto mais amplo de maior crescimento de crédito, mudanças no mix em direção a empréstimos sem garantia, limites concedidos mais altos, sazonalidade e dinâmicas de provisionamento antecipado do IFRS-9, em vez de necessariamente sinalizar uma deterioração estrutural na qualidade do crédito”, afirmam Rosman, Buchpiguel e Pascale.
O chefe de RI Guilherme Souto recomendou que os investidores ouçam o podcast da companhia sobre estratégia de crédito, descrevendo-o como “a aula sobre como a banda toca no Nu.”
O CFO Guilherme Lago reforçou que o NIM ajustado ao risco deve melhorar nos próximos trimestres e reverter gradualmente aos níveis do segundo semestre de 2025.

IA como pilar estratégico central
Um tema que ganhou destaque crescente na narrativa da companhia foi a inteligência artificial.
“A IA não é simplesmente mais uma iniciativa de eficiência, mas potencialmente uma das mais importantes vantagens competitivas de longo prazo para o Nu, dado seu volume proprietário de dados, infraestrutura construída internamente e capacidade de iterar rapidamente”, ressaltam os analistas, ao reproduzir a visão da gestão.
O CEO David Vélez está pessoalmente engajado na transformação da fintech em uma empresa genuinamente AI-first, com praticamente toda a organização já operando com ferramentas de IA integradas aos fluxos de trabalho diários.
“O momento atual foi descrito como uma transformação all-in de IA”, destacam Rosman, Buchpiguel e Pascale.
México, EUA e Brasil sustentam tese global
No plano geográfico, o BTG reforça três vetores de crescimento. No Brasil, o Nubank ganhou aproximadamente 200 pontos-base de participação no pool de lucros do setor bancário em base anual.
No México, a expectativa é de receber a licença bancária plena em julho — um marco relevante.
Nos EUA, a gestão mantém convicção no potencial assimétrico da expansão, com impacto limitado ao índice de eficiência de até 100 pontos-base em 2026 e 2027.
“Não perseguir essa oportunidade de forma suficientemente agressiva significaria efetivamente subinvestir em um vetor de crescimento potencialmente transformacional de longo prazo”, concluem os analistas.
O BTG elevou as estimativas de lucro para 2027 e 2028 em 4% e 6%, para US$ 5,4 bilhões e US$ 7,0 bilhões, respectivamente, mantendo a projeção de US$ 4 bilhões para 2026.






