O banco Santander reduziu novamente suas estimativas para o Banco do Brasil (BBAS3) e adotou um tom mais cauteloso em relação às ações da instituição financeira. Em relatório divulgado neste sábado (17), o banco cortou o preço-alvo dos papéis para R$ 23 ao fim de 2026, ante R$ 26 anteriormente, refletindo uma expectativa de maior custo de risco e recuperação mais lenta da inadimplência.
Apesar da revisão negativa, o Santander manteve a recomendação de “manutenção” para as ações do Banco do Brasil. Segundo os analistas, o valuation atual, de cerca de 0,6 vez o preço sobre valor patrimonial (P/VPA) estimado para 2026, limita o potencial de queda dos papéis, enquanto o cenário eleitoral pode sustentar um sentimento mais positivo para o mercado.
Lucros sob pressão
No relatório, os analistas Henrique Navarro, Anahy Rios e Lorenzo Giglioli afirmam que o Banco do Brasil segue em uma situação delicada, dividido entre um momentum mais fraco de resultados e fatores externos que ainda podem apoiar a performance das ações.
A equipe do Santander decidiu reduzir as projeções após o Banco do Brasil revisar seu guidance para 2026, incorporando um ambiente macroeconômico mais desafiador. A instituição elevou as expectativas para provisões e para a receita líquida de juros (NII), diante da manutenção da Selic em níveis elevados.
Segundo o Santander, embora os juros mais altos devam beneficiar o NII, esse efeito tende a ser mais do que compensado pelo aumento das provisões para perdas e pela deterioração mais lenta da qualidade dos ativos.
Agronegócio preocupa
O relatório destaca que a administração do Banco do Brasil atribuiu parte da piora das perspectivas ao impacto inflacionário provocado pelos conflitos no Oriente Médio. O banco avalia que esse cenário pode pressionar ainda mais as margens dos produtores do agronegócio na próxima safra, afetando o capital de giro do setor por um período mais prolongado.
Com isso, o Santander incorporou em suas projeções a banda inferior do guidance divulgado pelo Banco do Brasil, passando a estimar lucro líquido de R$ 17,4 bilhões em 2026.
Além disso, os analistas afirmaram ter adotado uma postura mais conservadora também para os anos seguintes, diante da expectativa de recuperação mais lenta da rentabilidade a partir de 2027.
Mesmo com a piora nas estimativas, o Santander pondera que o valuation descontado ainda impede uma visão mais negativa para os papéis no curto prazo. Ainda assim, o banco recomenda cautela aos investidores diante do cenário de maior risco para qualidade dos ativos e rentabilidade.
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