O Bitcoin (BTCUSD) perdeu força nesta semana e testa níveis abaixo de US$ 78 mil, pressionado por uma combinação de deterioração no sentimento institucional, ambiente macroeconômico adverso e pressão vendedora disseminada nos mercados de derivativos e spot.
Análises da Glassnode e da Bitfinex publicadas nesta segunda-feira (18) convergem no diagnóstico: o momentum de recuperação está se esgotando, e os ventos contrários – do lado dos juros americanos, da inflação e dos fluxos de ETFs – ainda não deram sinais de reversão.
Pressão vendedora domina derivativos
Os dados da Glassnode revelam uma virada significativa na dinâmica de mercado. O CVD spot caiu 848,7% na comparação recente, indicando forte inclinação vendedora mesmo com o volume spot subindo 4,2% – sinal de que a maior atividade reflete negociação e não apetite de alta.
Nos futuros, os juros abertos recuaram 2,9%, enquanto o CVD de perpétuos despencou 278,7%. No mercado de opções, o skew 25-delta subiu 42,75%, sugerindo busca crescente por proteção contra queda.
“A estrutura de mercado do Bitcoin começa a se deteriorar à medida que o momentum, a demanda spot e o posicionamento especulativo enfraquecem em todo o mercado”, resume a Glassnode.
O único contrapeso positivo identificado pela plataforma é a dominância crescente dos detentores de longo prazo, que segue fornecendo uma camada de resiliência estrutural.
ETFs sangram e macro pesa
A Bitfinex reforça o quadro de fragilidade pelo lado institucional. Os ETFs spot de Bitcoin nos EUA registraram cerca de US$ 1 bilhão em saídas líquidas na semana, encerrando uma sequência de seis semanas consecutivas de entradas. Até o IBIT da BlackRock participou do movimento de retirada.
“A divergência sugere que, apesar da recuperação anterior rumo a US$ 82.000, a convicção institucional permanece insuficiente para absorver os choques macroeconômicos em curso e a volatilidade das taxas de juros”, aponta a Bitfinex.
O ativo abriu a semana a US$ 82.160, foi rejeitado novamente na zona de resistência entre US$ 80 mil e US$ 83 mil e fechou com queda de 4,6%, acumulando pressão sobre o suporte do preço de abertura mensal.
Hormuz, inflação e juros no centro do problema
O pano de fundo macroeconômico piorou de forma decisiva. A inflação americana ao consumidor acelerou para 3,8% em abril, impulsionada por energia e serviços persistentemente elevados.
O fechamento do Estreito de Ormuz empurrou o Brent acima de US$ 100 por barril, alimentando custos de frete, combustível e consumo ao redor do mundo. Os salários reais ficaram negativos, e o mercado passou a precificar possibilidade de novo aperto do Fed.
“O cenário macroeconômico dos EUA mudou decisivamente para um ambiente de inflação mais alta por mais tempo”, conclui a Bitfinex.
Em meio à turbulência, o avanço do CLARITY Act no Senado americano e o lançamento do ETF spot de Hyperliquid pela Bitwise com recompensas de staking oferecem algum alento regulatório e institucional — mas, por ora, insuficiente para compensar o peso da macro sobre o apetite por risco.






