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Incertezas globais derrubam resultado da Tupy e prejuízo salta 541%

Incertezas globais derrubam resultado da Tupy e prejuízo salta 541%

Ebitda ajustado recuou 49% em relação a 2024, com margem encolhendo de 12,1% para 6,8% no período

A Tupy (TUPY3) encerrou 2025 com prejuízo líquido de R$ 655 milhões, revertendo o lucro de R$ 82 milhões registrado em 2024. A companhia atribuiu o desempenho a um ambiente de incertezas globais que pressionou tanto o mercado externo quanto o interno, reduzindo a demanda por veículos comerciais e comprimindo margens ao longo do ano.

O ano de 2025 foi marcado por um ambiente de incertezas que impactou a economia global e, consequentemente, os mercados em que atuamos“, afirmou a administração da Tupy em carta aos acionistas divulgada nesta quinta-feira (19).

No quarto trimestre de 2025, as receitas caíram 12,4% na comparação com o mesmo período do ano anterior. O Ebitda ajustado derreteu 84,5%, a R$ 39,025 milhões. O prejuízo líquido saltou de R$ 97,666 milhões para R$ 626 milhões, aumento de 541,5%.

Tarifas e regulação pesam

No mercado externo, a implementação de tarifas comerciais nos Estados Unidos e o adiamento das regras de emissões para veículos comerciais — o chamado EPA27 — levaram compradores a postergar a renovação e a expansão de suas frotas. Preços de frete depreciados, reflexo do aumento da oferta no período pós-pandemia, também pressionaram a rentabilidade das transportadoras norte-americanas.

“A implementação de tarifas comerciais contribuiu de forma decisiva para esse cenário, afetando a confiança de empresas, consumidores e gerando pressões inflacionárias”, destacou a administração.

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No Brasil, a combinação de juros elevados, inadimplência recorde e fraco desempenho do agronegócio reduziu as vendas de veículos comerciais pesados e extrapesados, impactando diretamente as unidades de negócio de Componentes Estruturais e Contratos de Manufatura.

Receita e Ebitda recuam

A receita líquida consolidada somou R$ 9,7 bilhões em 2025, queda de 9% em relação a 2024, reflexo da redução de 10% no volume físico de vendas. O Ebitda ajustado atingiu R$ 661 milhões, com queda de 49% na comparação anual. A margem encolheu de 12,1% para 6,8%.

“Os efeitos combinados da queda dos volumes de vendas e de produção sobre o Ebitda totalizaram R$ 580 milhões em relação ao ano anterior”, informou a companhia.

O resultado líquido foi impactado por uma série de itens não recorrentes, incluindo impairment de R$ 327 milhões, redução ao valor realizável de estoques de R$ 40 milhões e baixa de créditos tributários de R$ 125 milhões. Gastos com reestruturações somaram R$ 97 milhões no período.

Caixa é o destaque positivo

Em meio ao cenário adverso, a geração de caixa operacional foi o principal destaque positivo do balanço. A Tupy produziu R$ 915 milhões no período, a segunda maior marca da história da companhia, impulsionada pela gestão eficiente do capital de giro, pelo desempenho da MWM e pela venda de créditos tributários de IPI.

A dívida líquida encerrou 2025 em R$ 2,2 bilhões, redução de 5% em relação a 2024. No entanto, a relação dívida líquida/Ebitda ajustado avançou para 3,35 vezes, pressionada pelo menor resultado operacional do período.

MWM sustenta diversificação

A MWM representou 27% da receita líquida consolidada, com faturamento de R$ 2,6 bilhões. A margem Ebitda ajustado da unidade atingiu 10% em 2025, expansão de 200 pontos-base na comparação anual, sustentada por ganhos de eficiência, racionalização de processos e melhoria do mix de produtos.

“Apesar da diversificação do nosso portfólio e do relacionamento sólido com clientes, a queda de volumes em mercados relevantes, em alguns casos superior a 25%, refletiu-se nas receitas da Tupy”, reconheceu a administração.

Reestruturação para 2026

Para os próximos anos, a companhia aposta na reestruturação industrial e nos novos contratos como vetores de recuperação. O portfólio contratado soma R$ 1,4 bilhão em receitas incrementais, com previsão de faturamento de R$ 600 milhões em 2026 oriundo de novos projetos.

A companhia estima ganhos de R$ 180 milhões anuais no Ebitda ajustado a partir de 2027, decorrentes da redução estrutural de custos fixos e da eliminação da ociosidade nas plantas industriais.

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