A Natura (NATU3) deu mais um passo no processo de reformulação de sua governança corporativa com a consolidação da Advent International como acionista relevante da companhia. Em relatório, o BTG Pactual avalia que a movimentação reforça a credibilidade da reestruturação anunciada em março e pode contribuir para uma reprecificação das ações ao longo do tempo, embora ainda não elimine os principais riscos da tese de investimento.
Segundo comunicado divulgado pela empresa, o fundo Lotus FIP, administrado pela Advent, passou a deter 90,7 milhões de ações da Natura, o equivalente a 6,6% do capital social. Além disso, a gestora mantém exposição econômica a outros 19,3 milhões de papéis por meio de contratos de derivativos liquidados financeiramente (Total Return Swap), elevando sua participação econômica para aproximadamente 8% da companhia.
Para o BTG, o movimento confirma que a Advent atingiu o piso da faixa de participação entre 8% e 10% prevista no acordo anunciado em março, transformando um compromisso inicialmente planejado em uma posição efetiva no capital da empresa.
A entrada da gestora internacional é vista principalmente como um catalisador de governança. O acordo firmado anteriormente previa que, ao atingir essa participação, a Advent teria o direito de indicar dois integrantes para o conselho de administração da Natura, além de participar dos comitês de assessoramento da companhia.
Reformulação ampla
A mudança faz parte de uma reformulação mais ampla da estrutura de governança da empresa. O processo inclui a migração dos fundadores para um conselho consultivo, a saída de Fabio Barbosa do conselho de administração para integrar esse novo órgão e a nomeação de Alessandro Carlucci para a presidência do conselho.
Na avaliação do BTG Pactual, a chegada de um investidor financeiro de grande porte fortalece a percepção de mercado sobre a qualidade da governança da Natura e reduz parte das incertezas relacionadas à execução desse processo de reorganização.
Apesar da avaliação positiva, os analistas ressaltam que a mudança representa um catalisador construtivo, mas não elimina todos os riscos envolvendo a companhia. O banco considera que ainda será necessário acompanhar a confirmação oficial das indicações da Advent para o conselho de administração e, principalmente, verificar se a nova estrutura de governança será capaz de se traduzir em uma melhora consistente dos resultados operacionais.
Segundo o BTG, esse continua sendo o principal fator para sustentar uma recuperação mais duradoura da empresa após um período marcado por elevada volatilidade de suas ações.
Diante desse cenário, o banco manteve recomendação Neutra para os papéis da Natura. Embora reconheça que a entrada da Advent aumenta a credibilidade da tese de investimento e possa favorecer uma reavaliação das ações no futuro, o BTG entende que ainda é cedo para considerar que os riscos operacionais e de execução foram totalmente superados.
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