A MRV (MRVE3) anunciou na segunda-feira (22), após o fechamento do mercado, a venda de dois projetos da Resia no Texas — Ten Oaks e Rayzor Ranch — por valor total de US$ 139 milhões. O Bradesco BBI avaliou a transação nesta terça-feira (23) com visão mista: embora positiva para a desalavancagem, a operação foi fechada com desconto de 26% sobre o valor contábil e implicará prejuízo maior do que o esperado.
O negócio conta com garantia de depósito não reembolsável de US$ 12 milhões e tem conclusão prevista para julho. Desde dezembro de 2024, quando a Resia anunciou seu plano de redução de escala, os desinvestimentos já totalizam US$ 380 milhões. Contudo, os ativos restantes ainda geram incerteza relevante sobre os resultados da companhia.
Prejuízo surpreende negativamente
“Embora a venda seja importante para reduzir a alavancagem financeira da MRV — com uma queda de 7,5% na dívida líquida após a operação —, o desconto de cerca de 26% em relação ao valor contábil implica um prejuízo maior do que o esperado no resultado consolidado de 2026“, avaliaram os analistas Bruno Mendonça e Wellington Lourenço, do Bradesco BBI.
O prejuízo a ser reconhecido no segundo trimestre é de US$ 49 milhões. Após a venda, o indicador de covenant de dívida da MRV deve recuar 0,05 ponto percentual, para 0,53 — ainda abaixo do limite de 0,65.
Entretanto, o impacto negativo no resultado de 2026 reduz a previsibilidade dos números e desancora as estimativas de consenso.
Ativos restantes seguem como foco de incerteza
Do cronograma original de venda de ativos legados, resta o projeto Memorial para 2026, com valor contábil de US$ 109 milhões. Já as vendas de Golden Glades (US$ 133 milhões) e North City — não consolidado e em fase final de conclusão — estão previstas para 2027.
“A Resia permanece agora com US$ 585 milhões em ativos, dos quais US$ 476 milhões devem ser vendidos em 2027”, destacaram Mendonça e Lourenço.
O BBI avalia que o atual desconto no papel — múltiplo P/VPA de 0,5x — reflete a preocupação do mercado com possíveis prejuízos adicionais.
“O eventual encerramento da unidade de negócios dos Estados Unidos reduz a previsibilidade dos resultados para os anos de 2026 e 2027 e desancora as estimativas de consenso”, concluíram os analistas.
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