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Janus Henderson vê IA, e não as midterms nos EUA, como motor dos lucros das empresas

Janus Henderson vê IA, e não as midterms nos EUA, como motor dos lucros das empresas

Gestora relativiza efeitos duradouros das eleições de meio de mandato e destaca ganhos de produtividade com IA; energia cara e juros seguem como riscos

A Janus Henderson espera que a inteligência artificial continue impulsionando os lucros corporativos nos Estados Unidos, independentemente do resultado das Midtems dos EUA, também conhecidas como eleições de meio de mandato. Seth Meyer, responsável global pela gestão de portfólios de clientes da casa, considera que as oscilações eleitorais tendem a ser absorvidas no longo prazo.

As chamadas midterms estão marcadas para 3 de novembro e renovam toda a Câmara dos Representantes e parte do Senado. O resultado define qual partido terá maioria em cada Casa, com consequências para a aprovação da agenda do governo.

“Acreditamos que os investidores devem manter em mente que o mais importante para os resultados financeiros é a rentabilidade composta em horizontes mais longos”, afirma Meyer.

Um levantamento apresentado pela gestora ajuda a contextualizar essa leitura. Nos 50 anos até 23 de outubro de 2026, a valorização anualizada do S&P 500 foi de 9,24% sob governos divididos e de 8,73% quando o mesmo partido controlava a Casa Branca e as duas Casas do Congresso. A diferença foi de 0,51 ponto percentual.

Meyer avalia que a divisão de poder pode ampliar a incerteza política, mas também limitar iniciativas mais ambiciosas de um único partido. Na interpretação dele, o impasse legislativo pode favorecer os mercados em determinadas circunstâncias.

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Ganhos da IA começam a alcançar outras empresas

Para a Janus Henderson, os investimentos em infraestrutura de inteligência artificial têm horizonte que atravessa diferentes ciclos eleitorais. Meyer espera que os lucros dos hyperscalers, grandes provedores de computação em nuvem, continuem contribuindo para os resultados corporativos agregados no restante da década.

A tese também contempla as empresas que adotam a tecnologia em suas operações, além das que fornecem infraestrutura.

“O mais importante é que já estamos observando uma dispersão dos lucros relacionados à IA à medida que os usuários finais começam a registrar ganhos de produtividade”, diz.

O gestor reconhece que a resistência à instalação de data centers, presente em campanhas estaduais e locais, pode alterar prazos, localização e custos dos projetos. Ainda assim, não espera que isso desacelere substancialmente a expansão da infraestrutura.

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Energia cara e custo de capital seguem como riscos

O cenário traçado pela gestora mantém atenção sobre o poder de compra dos americanos. Meyer associa os preços elevados da energia aos desdobramentos geopolíticos e considera que uma reação dos eleitores não necessariamente produzirá mudanças relevantes na política externa.

Na leitura do gestor, a falta de disciplina fiscal dos dois partidos americanos e de governos da Europa Ocidental agrava os desafios para financiar empresas e governos.

“Empresas, tomadores de empréstimos governamentais e investidores devem aceitar que entramos em um regime de custo de capital mais elevado”, afirma.

Nesse contexto, Meyer vê menor atratividade em produtos de renda fixa de maior duração. A seleção dos investimentos, segundo ele, exige avaliar quais empresas e governos conseguem entregar resultados compatíveis com a maior exigência de retorno.