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Entenda o que levou o Fed a manter os juros dos EUA

Entenda o que levou o Fed a manter os juros dos EUA

Ao descrever o cenário, Warsh disse que a atividade econômica se expande a um ritmo forte e que os gastos domésticos têm se mostrado resilientes

O presidente do Federal Reserve (Fed), Kevin Warsh, afirmou nesta quarta-feira (28), em entrevista coletiva após a decisão que manteve a taxa de juros dos Estados Unidos entre 3,75% e 4%, que a economia americana segue em ritmo forte, mas que o banco central precisa de mais informações antes de definir os próximos passos da política monetária. Mas a inflação ainda preocupa a autoridade monetária norte-americana.

Ao descrever o cenário, Warsh disse que a atividade econômica se expande a um ritmo forte e que os gastos domésticos têm se mostrado resilientes. Segundo ele, a produtividade está forte e o investimento de capital, robusto, em linha com o diagnóstico do comunicado oficial.

O presidente do Fed afirmou que o Comitê acredita que mais informações ajudarão a determinar a postura de política monetária adequada. Sobre o ambiente internacional, disse que a instituição acompanha o cenário externo e ponderou que a situação “não ficou mais fácil”.

Questionado sobre as condições financeiras, Warsh disse que o Comitê não está disposto, nem em condições, de classificá-las como restritivas. Ele afirmou que o Fed começou a observar algumas mudanças e que os participantes do mercado estão mais criteriosos na alocação de capital.

Inflação elevada

O ponto de atenção do comunicado é a inflação, que segue elevada. O Fed afirma que o acúmulo de mais informações ajudará o Comitê a determinar a política monetária adequada para garantir o retorno oportuno dos preços à meta de 2%. O texto encerra com a promessa de que o Comitê do Fed “garantirá a estabilidade de preços”.

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A combinação de atividade forte e inflação elevada ajuda a explicar a cautela do Fed: com a economia aquecida, o banco central não demonstra urgência em reduzir os juros, e a linguagem sobre “mais informações” sugere que as próximas decisões dependerão dos dados. A decisão dividida reforça que há debate interno sobre o rumo da política monetária.

Stephan Kautz: expectativa de alta na próxima reunião

Stephan Kautz, economista-chefe da EQI Asset, avaliou que a expectativa do mercado a partir de agora é de uma possível alta dos juros na reunião de dezembro. Ele avalia ainda que o cenário é categorizado como “strong” pela autoridade monetária norte-americana, em vez de sólido, o que dá uma sinalização de que a economia realmente continua vindo muito bem.

“Então, nesse sentido, a expectativa do consenso do mercado é para uma alta de juros na reunião de dezembro”, comentou ele.

No mais, Kautz explicou que a sinalização de hoje não trouxe muita diferença. Portanto, essa precificação se mantenha ainda pelos próximos dias, já que, em geral, o Fed entregou o que era esperado pelo mercado.

Segundo Fernando Saad Benati, estrategista global da Avenue, a atenção do mercado agora se concentra na comunicação do Fed, em busca de indicações sobre a trajetória dos juros nas próximas reuniões. As expectativas para dezembro já apontam uma probabilidade próxima de 80% de uma nova alta das taxas, de acordo com a análise de Benati – assim como a de Kautz.

No mercado de títulos públicos americanos, os rendimentos ainda não apresentam uma direção definida, embora os movimentos recentes indiquem uma tendência ligeiramente altista. A evolução dos juros dos Treasuries é acompanhada de perto pelos investidores, pois influencia as condições financeiras globais e a atratividade relativa dos ativos de diferentes países.

No mercado cambial, o dólar registra uma desvalorização marginal em relação às principais moedas globais. No Brasil, contudo, a moeda americana avança frente ao real, em movimento que indica um enfraquecimento da divisa brasileira no pregão.

Segundo Benati, esse comportamento evidencia que o real apresenta uma desvalorização mais intensa em relação ao dólar do que a observada, em média, entre as principais moedas desenvolvidas. Essa comparação considera o índice DXY, que mede o desempenho da moeda americana diante de uma cesta de divisas, com participação expressiva do euro.

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