A Movida (MOVI3) registrou lucro líquido de R$ 152 milhões no 3º trimestre, alta de 117% em relação ao mesmo período do ano anterior. O resultado foi considerado sólido pelo BTG Pactual, que, apesar do desempenho operacional positivo, alerta que a perspectiva de juros elevados por mais tempo no Brasil pode limitar a melhora da percepção dos investidores sobre a companhia.
Em relatório assinado pelos analistas Lucas Marquiori, Fernanda Recchia e Samuel Alkmim, o banco manteve a recomendação de compra para as ações da locadora de veículos. Segundo a instituição, os resultados vieram amplamente em linha com as expectativas e com a prévia operacional divulgada anteriormente pela empresa.
A receita líquida da Movida somou R$ 3,9 bilhões no trimestre, avanço de 3% na comparação anual. O Ebitda, indicador que mede o resultado operacional antes de juros, impostos, depreciação e amortização, atingiu R$ 1,8 bilhão, crescimento de 21% em relação ao terceiro trimestre do ano anterior.
De acordo com os analistas, o aumento do lucro líquido foi favorecido por uma menor alíquota efetiva de impostos, principalmente em função do pagamento de juros sobre capital próprio (JCP). O retorno sobre o capital investido (ROIC) ficou em 17%, com um diferencial de 5,8 pontos percentuais em relação ao custo da dívida, ligeiramente acima dos 5,7 pontos percentuais registrados no segundo trimestre.
Aluguel de carros sustenta desempenho operacional
A divisão de aluguel de carros (RAC, na sigla em inglês) apresentou crescimento tanto em volume quanto em preços. A receita líquida do segmento alcançou R$ 1,2 bilhão, alta de 24% na comparação anual, enquanto o Ebitda correspondeu a uma margem de 69%, avanço de 0,7 ponto percentual em 12 meses.
O número de diárias de aluguel chegou a 7,4 milhões, aumento de 22% em relação ao mesmo trimestre de 2025. A diária média subiu 5%, para R$ 167, enquanto a taxa de ocupação avançou para 78%, alta de 5,9 pontos percentuais em um ano.
Para o BTG, os números refletem a demanda consistente por veículos de aluguel e os ganhos de eficiência na gestão da frota. A depreciação por veículo permaneceu relativamente estável, em R$ 7,3 mil, ante R$ 7,2 mil no trimestre anterior.
Na divisão de gestão e terceirização de frotas (GTF), voltada principalmente a contratos de longo prazo com empresas, a receita líquida totalizou R$ 1,2 bilhão, crescimento anual de 15%. O resultado foi impulsionado pelo aumento de 10% nos preços e pela expansão de 5% no volume de diárias, que atingiu 12,4 milhões.
O Ebitda da divisão chegou a R$ 942 milhões, com margem de 79%, alta de 2,7 pontos percentuais em relação ao terceiro trimestre do ano anterior. A depreciação por veículo ficou em R$ 11,2 mil, ante R$ 11 mil no segundo trimestre.
Seminovos e alavancagem ficam no radar
A divisão de Seminovos, responsável pela venda de veículos que deixam a operação de locação, apresentou receita líquida de R$ 1,5 bilhão, queda de 16% em relação ao trimestre anterior. Foram vendidos 20,1 mil veículos, abaixo dos 24,5 mil registrados no período de comparação informado pela companhia.
A margem Ebitda permaneceu em 1%, estável em relação ao segundo trimestre. Já a margem bruta avançou para 6%, alta de um ponto percentual na comparação trimestral, favorecida pela maior participação das vendas no varejo. O preço médio de venda dos veículos chegou a R$ 75,3 mil, aumento de 3% no período.
Segundo o relatório, o volume de vendas também apresentou recuperação sequencial, com alta de 3%, após o encerramento da temporada de maior demanda por aluguel de carros.
No balanço financeiro, a dívida líquida da Movida encerrou o trimestre em R$ 17,5 bilhões, ante R$ 17,2 bilhões no segundo trimestre. A dívida bruta subiu de R$ 20,6 bilhões para R$ 21 bilhões.
Apesar do aumento nominal da dívida, o BTG calculou que a relação entre dívida líquida e Ebitda, ajustada por contas a pagar comerciais e cessão de direitos de crédito, recuou para 3,8 vezes, ante 3,9 vezes no trimestre anterior. A frota consolidada somou 294 mil veículos, contra 286 mil no segundo trimestre, enquanto o investimento líquido totalizou R$ 1,4 bilhão, abaixo dos R$ 2,4 bilhões registrados anteriormente.
Juros são principal obstáculo para as ações
Na avaliação do BTG Pactual, os resultados reforçam a consistência operacional da Movida, especialmente em volumes de locação, preços, margens e controle da depreciação. Ainda assim, o banco considera que a melhora das condições de juros é o principal fator capaz de impulsionar uma recuperação mais expressiva da percepção do mercado sobre as ações.
Os analistas destacam que as tendências macroeconômicas recentes do Brasil apontam para a possibilidade de taxas de juros elevadas por mais tempo, cenário que pode limitar o desempenho dos papéis, mesmo diante de resultados operacionais positivos.
A companhia não divulgou projeções trimestrais nesta divulgação, diferentemente do que havia feito no trimestre anterior.
Apesar desse cenário, o BTG reiterou a recomendação de compra para as ações da Movida. Para o banco, a empresa continua apresentando desempenho operacional sólido, embora o comportamento dos juros permaneça como uma variável decisiva para o sentimento dos investidores.






