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Fed mantém juros entre 3,75% e 4% em decisão dividida

Fed mantém juros entre 3,75% e 4% em decisão dividida

A decisão do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) foi tomada por 10 votos a 2, o que sugere divergência dentro do colegiado

O Federal Reserve (Fed), banco central dos Estados Unidos, decidiu manter a taxa básica de juros na faixa de 3,75% a 4% ao ano. A decisão do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) foi tomada por 10 votos a 2, o que sugere divergência dentro do colegiado, e divulgada nesta quarta-feira (28). Os votos divergentes foram de Lisa Cook e Beth Hammack. Elas votaram a favor de uma elevação de 0,25 ponto.

A decisão ficou dentro do esperado, uma vez que a maioria dos agentes do mercado apontava para uma mauntenção dos juros, o que acabou ocorrendo. Na reunião anterior, o colegiado norte-americano havia elevada a taxa em 0,25 ponto percentual.

Segundo o Fed, a manutenção dos juros busca apoiar o duplo mandato da instituição, que combina o pleno emprego e a estabilidade de preços. O Comitê também seguirá com a política de manter reservas amplas no sistema bancário.

No diagnóstico sobre a atividade, o Fed afirma que a economia americana se expande em ritmo acelerado. O consumo interno tem se mostrado resiliente, o crescimento da produtividade é forte e o investimento de capital é robusto. O banco central reconhece, porém, que a incerteza permanece elevada, em parte por desenvolvimentos geopolíticos.

No mercado de trabalho, a criação de empregos acompanhou o crescimento da força de trabalho, e a taxa de desemprego apresentou pouca variação.

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Stephan Kautz, economista-chefe da EQI Asset, avaliou que a expectativa do mercado a partir de agora é de uma possível alta dos juros na reunião de dezembro. Ele avalia ainda que o cenário é categorizado como “strong” pela autoridade monetária norte-americana, em vez de sólido, o que dá uma sinalização de que a economia realmente continua vindo muito bem.

“Então, nesse sentido, a expectativa do consenso do mercado é para uma alta de juros na reunião de dezembro”, comentou ele.

No mais, Kautz explicou que a sinalização de hoje não trouxe muita diferença. Portanto, essa precificação se mantenha ainda pelos próximos dias, já que, em geral, o Fed entregou o que era esperado pelo mercado.

Segundo Fernando Saad Benati, estrategista global da Avenue, a atenção do mercado agora se concentra na comunicação do Fed, em busca de indicações sobre a trajetória dos juros nas próximas reuniões. As expectativas para dezembro já apontam uma probabilidade próxima de 80% de uma nova alta das taxas, de acordo com a análise de Benati – assim como a de Kautz.

No mercado de títulos públicos americanos, os rendimentos ainda não apresentam uma direção definida, embora os movimentos recentes indiquem uma tendência ligeiramente altista. A evolução dos juros dos Treasuries é acompanhada de perto pelos investidores, pois influencia as condições financeiras globais e a atratividade relativa dos ativos de diferentes países.

No mercado cambial, o dólar registra uma desvalorização marginal em relação às principais moedas globais. No Brasil, contudo, a moeda americana avança frente ao real, em movimento que indica um enfraquecimento da divisa brasileira no pregão.

Segundo Benati, esse comportamento evidencia que o real apresenta uma desvalorização mais intensa em relação ao dólar do que a observada, em média, entre as principais moedas desenvolvidas. Essa comparação considera o índice DXY, que mede o desempenho da moeda americana diante de uma cesta de divisas, com participação expressiva do euro.

Inflação ainda elevada

O ponto de atenção do comunicado é a inflação, que segue elevada. O Fed afirma que o acúmulo de mais informações ajudará o Comitê a determinar a política monetária adequada para garantir o retorno oportuno dos preços à meta de 2%. O texto encerra com a promessa de que o Comitê do Fed “garantirá a estabilidade de preços”.

A combinação de atividade forte e inflação elevada ajuda a explicar a cautela do Fed: com a economia aquecida, o banco central não demonstra urgência em reduzir os juros, e a linguagem sobre “mais informações” sugere que as próximas decisões dependerão dos dados. A decisão dividida reforça que há debate interno sobre o rumo da política monetária.

Warsh: economia segue em ritmo forte

O presidente do Federal Reserve (Fed), Kevin Warsh, afirmou nesta quarta-feira (28), em entrevista coletiva após a decisão que manteve a taxa de juros dos Estados Unidos entre 3,75% e 4%, que a economia americana segue em ritmo forte, mas que o banco central precisa de mais informações antes de definir os próximos passos da política monetária. Warsh também anunciou uma reformulação no calendário de reuniões do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc).

Ao descrever o cenário, Warsh disse que a atividade econômica se expande a um ritmo forte e que os gastos domésticos têm se mostrado resilientes. Segundo ele, a produtividade está forte e o investimento de capital, robusto, em linha com o diagnóstico do comunicado oficial.

O presidente do Fed afirmou que o Comitê acredita que mais informações ajudarão a determinar a postura de política monetária adequada. Sobre o ambiente internacional, disse que a instituição acompanha o cenário externo e ponderou que a situação “não ficou mais fácil”.

Questionado sobre as condições financeiras, Warsh disse que o Comitê não está disposto, nem em condições, de classificá-las como restritivas. Ele afirmou que o Fed começou a observar algumas mudanças e que os participantes do mercado estão mais criteriosos na alocação de capital.

Fomc terá menos reuniões de decisão

Warsh anunciou ainda que o Fed decidiu alterar o cronograma do Fomc a partir do próximo outono (hemisfério norte). Segundo ele, oito reuniões por ano é o número adequado. Em uma delas, não haverá votação sobre a taxa de juros, e outra será dedicada à discussão de estratégia.

Pelo plano apresentado, em 2027 uma das reuniões não contará com votação sobre os juros nem com a divulgação de comunicado. Para 2028, Warsh prevê que duas reuniões não terão votação sobre as taxas, o que reduziria para seis o número de encontros destinados à definição da política monetária.

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