Home
Notícias
Ações
Metais e mineração: pressão de custos deve jogar contra empresas no 3T26, aponta Safra

Metais e mineração: pressão de custos deve jogar contra empresas no 3T26, aponta Safra

Em prévia de resultados, banco aponta Vale, Usiminas, CMIN e CSN como destaques negativos; Aura e Gerdau têm perspectiva mais favorável

O setor de metais e mineração deve apresentar um terceiro trimestre de 2026 marcado por pressão de custos, segundo prévia de resultados do Safra. O banco reduziu suas projeções para Vale (VALE3), CSN Mineração ($CMIN), CSN (CSNA3), Ternium e Usiminas (USIM5), manteve a estimativa para a Gerdau (GGBR4) e elevou a da Aura Minerals (AURA33). Vale, Usiminas, CMIN e CSN foram apontadas como os “lowlights” (destaques negativos) da temporada.

Para a Vale, o Safra projeta Ebitda ex-Brumadinho de cerca de US$ 3,4 bilhões no 3º trimestre, queda de aproximadamente 10% em relação ao segundo trimestre e 8% abaixo do consenso da Virtu Analysis (VA). A divisão de Soluções de Minério de Ferro deve responder por cerca de US$ 2,6 bilhões. Segundo o banco, o aumento dos embarques, para 85 milhões de toneladas (+7%), e a redução do custo caixa C1, para US$ 26,4 por tonelada (queda de US$ 1,3), devem ser mais do que compensados pela queda do preço realizado do minério, estimado em US$ 86,5 por tonelada (US$ 8,5 a menos). O custo all-in deve subir levemente, para US$ 64,2 por tonelada.

A Vale Base Metals (VBM) deve manter Ebitda estável, em torno de US$ 1,1 bilhão, com resultado mais forte em cobre compensando o desempenho mais fraco em níquel. O banco estima embarques de 87 mil toneladas de cobre (-12%) e 47 mil toneladas de níquel (+7%), com preços realizados de US$ 14.513 por tonelada (+3%) e US$ 16.361 por tonelada (-9%), respectivamente. O custo all-in do níquel deve subir para US$ 14.422 por tonelada, por causa de gastos com manutenção e custos carregados do segundo trimestre, enquanto o do cobre deve ficar negativo em US$ 496 por tonelada, apoiado por maiores créditos de subproduto de ouro.

CMIN: queda projetada de 62% no Ebitda

A CSN Mineração é a que deve registrar a queda mais acentuada. O Safra projeta Ebitda ajustado de cerca de R$ 390 milhões, recuo de 62% sobre o trimestre anterior e 53% abaixo do consenso. O resultado reflete o preço FOB realizado do minério de R$ 189 por tonelada (-22%), embarques ligeiramente menores, de 11,7 milhões de toneladas (-2%), e custo caixa de R$ 149 por tonelada (+1%). A menor realização de preço decorre dos valores de referência mais baixos do minério e do frete mais alto.

Publicidade
Publicidade

Aura Minerals na contramão

Entre as mineradoras, a Aura Minerals é o contraponto positivo. O banco espera Ebitda de US$ 233 milhões, alta de 18% no trimestre e em linha com o consenso. O avanço deve vir de maiores embarques, de cerca de 94 mil onças de ouro equivalente (+20%), e de custos caixa menores, de US$ 1.497 por onça (-1%), o que deve mais do que compensar o preço realizado do ouro, de US$ 4.243 por onça (-1%). O Safra estima queda do custo por onça em Aranzazu, Apoena, Borborema e MSG, e alta em Minosa e Almas, por menor produção.

Leia também:

Siderurgia: Gerdau e Ternium em alta, Usiminas e CSN em queda

Na Gerdau, o Safra projeta Ebitda de cerca de R$ 3,7 bilhões, alta de 8% e em linha com o consenso. A América do Norte deve crescer 12%, com R$ 2,9 bilhões e margem de 27,9%, impulsionada por preços maiores. O Brasil deve avançar 3%, para R$ 729 milhões (margem de 10,5%). Já a América do Sul deve recuar 29%, para R$ 146 milhões (margem de 11%), por custos ligados a paradas de manutenção na Argentina.

A Ternium deve reportar Ebitda ajustado de US$ 769 milhões, alta de 7% e próximo ao consenso de US$ 779 milhões. O banco aponta embarques de 4,0 milhões de toneladas (+4%) e preços maiores, parcialmente compensados pelo repasse defasado do aumento das matérias-primas ao custo dos produtos vendidos.

Para a Usiminas, a projeção é de Ebitda ajustado de R$ 622 milhões, queda de 18% e 7% abaixo do consenso. O segmento de Aço deve render R$ 616 milhões (-10%), com custo caixa por tonelada 6% maior, enquanto a Mineração deve cair 89%, para R$ 8 milhões, com embarques de 1,8 milhão de toneladas (-26%) e preço realizado de R$ 332 por tonelada (-6%).

Na CSN, o Ebitda deve somar cerca de R$ 1,9 bilhão, queda de 33% e 26% abaixo do consenso. Aço (R$ 506 milhões), Mineração (R$ 385 milhões), Cimento (R$ 397 milhões) e Energia (R$ 54 milhões) devem ter resultados mais fracos, o que mais do que anula o desempenho melhor da Logística, estimada em R$ 576 milhões, com margem de 45,6%.