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BTG mantém recomendação de compra para Ecorodovias

BTG mantém recomendação de compra para Ecorodovias

Banco avalia que parte da carteira da Ecorodovias é mais resiliente do que o mercado supõe e fixa preço-alvo de R$ 14 para os próximos 12 meses

O BTG Pactual manteve a recomendação de compra para as ações da Ecorodovias (ECOR3) em relatório divulgado em 15 de outubro. O banco estabeleceu preço-alvo de R$ 14 para os próximos 12 meses, ante cotação de R$ 13,75, o que indica potencial de valorização limitado no curto prazo, mas com tese construtiva no médio prazo.

O relatório segue a mesma linha de análise feita anteriormente pelo banco para a Motiva (MOTV3). A motivação é a crescente dúvida de investidores sobre o impacto de uma eventual desaceleração econômica no desempenho operacional da Ecorodovias, dada a elevada elasticidade do tráfego da companhia em relação ao PIB.

Os analistas reconhecem essa sensibilidade, mas argumentam que parte do portfólio está mais protegida do que o mercado imagina. Segundo o BTG, a resiliência vem de dois fatores: a Ecovias Imigrantes, que opera sob o regime de fluxo de caixa marginal desde março de 2024, e os mecanismos de compartilhamento de risco de demanda presentes nas concessões de nova geração, que limitam a exposição a quedas e dão mais previsibilidade ao fluxo de caixa. Juntos, esses elementos respondem por cerca de 44% do Ebitda da empresa.

Mitigação de risco é recurso recente

O banco lembra que, historicamente, as concessões rodoviárias brasileiras atribuíam todo o risco de tráfego à concessionária, modelo que ainda vigora na maior parte dos contratos mais antigos da Ecorodovias. Nas concessões federais, os mecanismos de compartilhamento foram introduzidos de forma gradual. O contrato da Araguaia, de 2021, previu piso e teto de receita, mas apenas durante os ciclos de investimento, enquanto o da Rio-Minas, de 2022, não contemplou nenhum mecanismo de demanda. Em 2023, a nova política de concessões federais formalizou o modelo de bandas, no qual a concessionária assume 100% do risco dentro da faixa, e o que extrapola os limites é dividido 50/50. Os contratos federais mais recentes da empresa, Capixaba (2025) e Gerais (2026), adotam bandas simétricas sobre o tráfego acumulado, com condições mais favoráveis no caso de Gerais.

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Em São Paulo, onde o regulador é a Artesp, a trajetória foi semelhante. O lote Noroeste Paulista, leiloado em 2022, não tem mecanismo de mitigação, enquanto o lote Nova Raposo, leiloado em 2024, inclui banda de demanda.

Valorização e perspectivas

Apesar do desempenho robusto das ações da Ecorodovias desde o primeiro turno das eleições presidenciais, com alta de 30%, o BTG segue construtivo. A avaliação se apoia em tendências operacionais sólidas, risco de queda limitado e valuation ainda atrativo, com TIR real de aproximadamente 12%, excluindo novos projetos.

Para o banco, a combinação do regime de fluxo de caixa marginal da Imigrantes, dos mecanismos de compartilhamento de demanda nos contratos recentes e de um mix de tráfego diversificado, entre veículos leves e pesados e diferentes segmentos industriais, oferece proteção relevante para parte da carteira. O BTG conclui que a Ecorodovias segue como uma aposta atrativa de beta elevado em infraestrutura brasileira, com risco de queda limitado e forte potencial de alta, sobretudo em um cenário de juros mais baixos.

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