O Mercado Livre (MELI; MELI34) enfrenta um “dilema entre crescimento e lucratividade”, um dos principais pontos de tensão entre investidores após o balanço mais recente, afirma o BTG Pactual em um relatório distribuído à clientes nesta quinta-feira (26).
Segundo o banco, o grupo segue exibindo forte expansão estrutural em e-commerce e fintech, mas a intensidade dos investimentos para sustentar essa trajetória pressiona as margens e alimenta dúvidas sobre a capacidade de conversão do crescimento em lucro operacional.
No relatório assinado pelos analistas Luiz Guanais e Yan Cesquim, o BTG observa que o Mercado Livre continua sendo “uma de nossas top picks e um claro outperformer entre as ações da América Latina”, mas lembra que a empresa ainda é uma história de múltiplos altos, negociando a 33 vezes o lucro estimado para 2026.
Esse valuation incorpora expectativas elevadas de expansão de receita, ao mesmo tempo em que abre espaço para debates sobre a durabilidade das margens.
Resultados
O quarto trimestre trouxe sinais mistos. O GMV (volume bruto de vendas) surpreendeu positivamente, especialmente em Brasil e México, mas o Ebit ficou abaixo das projeções.
“O trimestre entregou novamente surpresas positivas de GMV, mas o Ebit veio aquém do esperado devido ao aumento de investimentos em logística, incentivos de plataforma e expansão do crédito”, escrevem Guanais e Cesquim.
Para eles, o ponto central “não é se o MELI consegue crescer — o ecossistema segue dominante — mas com quanta eficiência esse crescimento adicional se converte em lucro”.
Preço-alvo
Diante desse cenário, o BTG revisou o preço-alvo para o fim de 2026, reduzindo-o de US$ 2.835 para US$ 2.700. Embora as estimativas de GMV tenham sido elevadas em 2%, projeções de EBIT e lucro líquido foram cortadas em 6% e 7%, respectivamente. O potencial de valorização é de aproximadamente 53%.
O banco nota que o ambiente competitivo na América Latina voltou a se intensificar, com Amazon acelerando incentivos a sellers e players globais reforçando operações locais. “O panorama de e-commerce na região voltou a uma dinâmica mais agressiva de preços”, afirmam.
Apesar disso, o BTG mantém visão construtiva no longo prazo, citando densidade logística incomparável, integração fintech e fortes efeitos de rede.
O Bradesco BBI vai na mesma linha, com corte de preço-alvo.
“A leitura geral reforça o cenário já destacado: crescimento robusto do ecossistema, mas acompanhado de maior custo para sustentar essa expansão, o que resultou em revisões negativas de curto prazo no lucro por ação -11% para 2026 e -6% para 2027”, afirmam os analistas.
O movimento levou ao ajuste do preço-alvo para R$ 120,00 por BDR MELI34 ante R$ 133,5, ainda com potencial relevante de valorização.






