O Safra elevou de US$ 2.300 para US$ 2.500 o preço-alvo em 12 meses para as ações do Mercado Livre (MELI; MELI34) e reiterou a recomendação de compra. O novo valor representa potencial de valorização de 27% sobre os US$ 1.966,25 considerados no relatório.
A revisão ocorre apesar de premissas mais conservadoras para a rentabilidade. O banco reduziu as projeções de margem e lucro operacional diante dos custos de logística, frete grátis e equipamentos do Mercado Pago.
Para o Safra, porém, a queda acumulada pelas ações já incorporou parte relevante dessas preocupações. O papel registrava recuo de 20% em 12 meses e de 2% no ano na data de referência do relatório.
“Mantemos o Mercado Livre como nossa principal escolha para o comércio eletrônico em 2026. Embora a concorrência e os investimentos continuem pressionando as margens no curto prazo, a escala, o ecossistema, a alavancagem saudável e o retorno sobre o capital devem sustentar um crescimento rentável ao longo do tempo”, avaliou o Safra.
Crescimento e valuation sustentam recomendação
O Mercado Livre permanece como a principal escolha do Safra para o comércio eletrônico em 2026. A tese combina a liderança na América Latina com oportunidades no marketplace, na publicidade, na logística e no Mercado Pago.
O banco estima que a receita líquida apresente crescimento anual composto de 33% entre 2025 e 2028. Para o volume bruto de mercadorias negociadas na plataforma, conhecido como GMV, a projeção é de avanço médio anual de 25%.
Com esse ritmo, a participação no comércio eletrônico regional deverá passar de 34% em 2025 para 45% em 2028. Entregas mais rápidas, novos centros de distribuição e o Mercado Ads sustentariam a expansão.
“Esperamos que a receita líquida registre crescimento anual composto de 33% entre 2025 e 2028, apoiada por uma expansão de 25% do GMV e pelo aumento da participação regional no comércio eletrônico, de 34% em 2025 para 45% em 2028”, projetou o banco.
O Safra reconhece que o Mercado Livre negocia com prêmio sobre outras varejistas. A ação está avaliada em aproximadamente 40 vezes o lucro projetado para 2027, abaixo da média histórica de 55 vezes.
O retorno médio sobre o capital investido projetado é de 35% entre 2025 e 2028. Para os analistas, o crescimento e a rentabilidade justificam múltiplos mais elevados.
Safra reduz projeções de margem
A principal mudança negativa ocorreu nas estimativas de rentabilidade. O Safra cortou a margem bruta projetada em 2,06 pontos percentuais para 2026, 3,37 pontos para 2027 e 2,53 pontos para 2028.
As revisões refletem componentes mais caros nas maquininhas do Mercado Pago, a pressão do petróleo sobre a logística, o frete grátis e receitas menores da fintech no curto prazo.
Ganhos de escala compensariam parte da pressão. Os cortes na margem operacional foram de 0,18 ponto percentual em 2026, 0,80 ponto em 2027 e 0,94 ponto em 2028. O lucro operacional estimado caiu 3% para 2026 e 10% para os dois anos seguintes.
O lucro líquido projetado aumentou 7% para 2026, beneficiado por despesas financeiras menores, principalmente na Argentina. Para 2027 e 2028, as estimativas foram reduzidas em 3% e 2%, respectivamente.
“Reduzimos nossas estimativas de margem bruta para os próximos três anos devido aos custos mais altos dos componentes das maquininhas do Mercado Pago, ao aumento das despesas logísticas com petróleo e frete grátis e à leve redução do crescimento da fintech”, explicou o relatório.
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Crédito e concorrência permanecem como riscos
No Mercado Pago, o Safra reduziu em 8% a projeção da carteira bruta de crédito em 2026 e em 5% a estimativa para 2027. A cautela aumentou com a deterioração do crédito no Brasil, embora a inadimplência da companhia permaneça controlada.
O relatório também incorporou uma projeção de crescimento do PIB 0,4 ponto percentual menor em 2027 e uma Selic de 12%. O cenário pode limitar a renda das famílias e elevar atrasos nos empréstimos.
Também são riscos a disputa com concorrentes internacionais agressivos em preços, a execução dos ganhos de margem e a instabilidade econômica e cambial da Argentina.
“O principal ponto está ligado à expansão das margens e, consequentemente, ao crescimento do lucro por ação e à geração de caixa. Outro risco importante é a concorrência de participantes internacionais, que costumam adotar uma política agressiva de preços”, ponderou o Safra.
Ainda assim, o Safra manteve a projeção de margem operacional de longo prazo em 9%, 2,2 pontos percentuais acima dos 6,8% estimados para 2026.
A concretização desse avanço será o principal teste para uma tese que depende de o Mercado Livre continuar crescendo sem perder rentabilidade diante da competição mais intensa.






